Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Polícia / Justiça

Polícia descarta feminicídio na morte de Ludmila Pedro de Lima em Campo Grande

Inquérito da Deam concluiu que não houve crime contra a jovem; namorado deve responder por tráfico de drogas

02/06/2026

21:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) concluiu o inquérito sobre a morte de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, e descartou a hipótese de feminicídio. A jovem morreu na madrugada de 7 de março, no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande, após passar mal na casa do namorado.

De acordo com a delegada Analu Lacerda, responsável pela investigação, os elementos reunidos no inquérito apontaram que não houve ação de terceiros para provocar a morte da jovem. A conclusão foi baseada em vídeos, laudos periciais, exames e depoimentos colhidos durante a apuração.

A investigação apontou que Ludmila passou mal após ingerir uma substância entorpecente na residência do namorado. A situação teria sido registrada em vídeo no dia 6 de março, horas antes da morte.

Com a análise do material, a polícia descartou a prática de feminicídio. No entanto, diante da constatação de venda de drogas, o namorado da jovem deverá responder por tráfico de entorpecentes.

Em maio, o advogado da família, Jossandro Oliveira, havia informado que aguardava a liberação do inquérito e do laudo necroscópico para acompanhar oficialmente o desfecho da investigação.

Versão apresentada pelo namorado

No dia da ocorrência, o namorado de Ludmila se apresentou aos policiais e relatou que, na véspera da morte, havia pedido para que a jovem retirasse uma denúncia registrada contra ele em 2025. Segundo o relato dele, a existência da denúncia estaria dificultando seu cadastro em plataformas de transporte por aplicativo.

Ainda conforme a versão apresentada à polícia, os dois foram até o fórum para tratar do assunto, mas teriam discutido antes de entrar no prédio. O rapaz afirmou que retornou para casa em um carro de aplicativo e que, posteriormente, Ludmila chegou ao imóvel de motocicleta.

A discussão teria continuado na residência. O namorado disse aos policiais que saiu para a área externa da casa e, em determinado momento, percebeu que a jovem havia ingerido uma substância misturada em um copo.

Pouco depois, segundo o relato, Ludmila começou a passar mal. O homem afirmou que pediu ajuda a uma vizinha para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e que permaneceu em contato com os socorristas enquanto aguardava atendimento.

Ainda de acordo com a versão registrada no boletim, a jovem chegou a apresentar melhora, mas voltou a ter convulsões antes da chegada da equipe de emergência. Quando os socorristas chegaram, ela foi retirada do imóvel e levada para atendimento na viatura.

Diante das circunstâncias encontradas no local, a Perícia Técnica e a Deam foram acionadas para apurar o caso. Após a conclusão das diligências, a polícia afastou a hipótese de feminicídio e encerrou o inquérito com o apontamento de outra linha investigativa.

A morte de Ludmila Pedro de Lima gerou repercussão em Campo Grande e foi acompanhada pela família, que aguardava a finalização dos laudos e da investigação policial.


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