Polícia / Justiça
Polícia descarta feminicídio na morte de Ludmila Pedro de Lima em Campo Grande
Inquérito da Deam concluiu que não houve crime contra a jovem; namorado deve responder por tráfico de drogas
02/06/2026
21:15
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) concluiu o inquérito sobre a morte de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, e descartou a hipótese de feminicídio. A jovem morreu na madrugada de 7 de março, no bairro Paulo Coelho Machado, em Campo Grande, após passar mal na casa do namorado.
De acordo com a delegada Analu Lacerda, responsável pela investigação, os elementos reunidos no inquérito apontaram que não houve ação de terceiros para provocar a morte da jovem. A conclusão foi baseada em vídeos, laudos periciais, exames e depoimentos colhidos durante a apuração.
A investigação apontou que Ludmila passou mal após ingerir uma substância entorpecente na residência do namorado. A situação teria sido registrada em vídeo no dia 6 de março, horas antes da morte.
Com a análise do material, a polícia descartou a prática de feminicídio. No entanto, diante da constatação de venda de drogas, o namorado da jovem deverá responder por tráfico de entorpecentes.
Em maio, o advogado da família, Jossandro Oliveira, havia informado que aguardava a liberação do inquérito e do laudo necroscópico para acompanhar oficialmente o desfecho da investigação.
Versão apresentada pelo namorado
No dia da ocorrência, o namorado de Ludmila se apresentou aos policiais e relatou que, na véspera da morte, havia pedido para que a jovem retirasse uma denúncia registrada contra ele em 2025. Segundo o relato dele, a existência da denúncia estaria dificultando seu cadastro em plataformas de transporte por aplicativo.
Ainda conforme a versão apresentada à polícia, os dois foram até o fórum para tratar do assunto, mas teriam discutido antes de entrar no prédio. O rapaz afirmou que retornou para casa em um carro de aplicativo e que, posteriormente, Ludmila chegou ao imóvel de motocicleta.
A discussão teria continuado na residência. O namorado disse aos policiais que saiu para a área externa da casa e, em determinado momento, percebeu que a jovem havia ingerido uma substância misturada em um copo.
Pouco depois, segundo o relato, Ludmila começou a passar mal. O homem afirmou que pediu ajuda a uma vizinha para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e que permaneceu em contato com os socorristas enquanto aguardava atendimento.
Ainda de acordo com a versão registrada no boletim, a jovem chegou a apresentar melhora, mas voltou a ter convulsões antes da chegada da equipe de emergência. Quando os socorristas chegaram, ela foi retirada do imóvel e levada para atendimento na viatura.
Diante das circunstâncias encontradas no local, a Perícia Técnica e a Deam foram acionadas para apurar o caso. Após a conclusão das diligências, a polícia afastou a hipótese de feminicídio e encerrou o inquérito com o apontamento de outra linha investigativa.
A morte de Ludmila Pedro de Lima gerou repercussão em Campo Grande e foi acompanhada pela família, que aguardava a finalização dos laudos e da investigação policial.
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