Política / Justiça
Juiz mantém Bernal preso e rejeita pedido de prisão domiciliar em Campo Grande
Magistrado entendeu que idade e comorbidades não justificam a medida e afirmou que o Presídio Militar deve garantir o atendimento médico necessário.
17/04/2026
16:15
DA REDAÇÃO
©Madu Livramento
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, continuará preso após a Justiça negar o pedido de liberdade e de prisão domiciliar apresentado pela defesa. A decisão foi tomada pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que considerou insuficientes os argumentos ligados à idade e ao quadro de saúde do réu para autorizar a saída do Presídio Militar, onde ele está custodiado desde o fim de março.
No pedido, os advogados sustentaram que Bernal, de 60 anos, apresenta comorbidades e precisa de acompanhamento médico. O magistrado, porém, rebateu esse ponto de forma direta ao afirmar, em síntese, que a condição de saúde alegada não o impediu, em tese, de agir da forma descrita na denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Ao analisar o caso, Garcete também destacou elementos já reunidos no processo, entre eles a informação de que Bernal chegou armado ao imóvel onde ocorreu o crime e efetuou disparos contra o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. A denúncia aceita pela Justiça atribui ao ex-prefeito os crimes de homicídio qualificado, violação de domicílio e porte ilegal de arma de fogo.
A acusação sustenta que o crime ocorreu em 24 de março de 2026, em uma casa na Rua Antônio Maria Coelho, em Campo Grande, imóvel que havia pertencido a Bernal, mas já tinha sido arrematado em leilão por Mazzini. Segundo a investigação, o servidor foi ao local acompanhado de um chaveiro para tomar posse da propriedade quando foi baleado.
Na decisão que negou a domiciliar, o juiz ainda observou que o local de custódia deve possuir estrutura adequada para atendimento médico e lembrou que Bernal está recolhido em cela especial, em razão da condição de advogado. Com isso, afastou a tese de que a simples existência de doença, por si só, geraria automaticamente o direito de cumprir prisão em casa.
O MPMS se manifestou contra o pedido da defesa e defendeu a manutenção da prisão preventiva. Para o órgão, os fatos atribuídos ao ex-prefeito e a gravidade da conduta descrita na denúncia não recomendam a substituição da medida por alternativas menos severas.
Além de negar a domiciliar, a Justiça já recebeu formalmente a denúncia contra Bernal, que passou à condição de réu. O magistrado deu prazo para resposta da defesa e determinou o envio de laudos e documentos complementares para a continuidade da ação penal. Com isso, o caso avança para uma nova etapa processual, enquanto o ex-prefeito segue preso preventivamente.
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