Economia / Energia
Aneel propõe reajuste de 12,61% na tarifa de energia em Mato Grosso do Sul
Percentual sugerido pela área técnica será analisado na terça-feira e pode atingir 1,15 milhão de consumidores atendidos pela Energisa MS em 74 municípios
03/04/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A conta de luz dos consumidores atendidos pela Energisa MS em Mato Grosso do Sul poderá ter um reajuste médio de 12,61%, conforme recomendação da área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A definição final sobre o novo índice será tomada na terça-feira, durante reunião da diretoria colegiada da agência reguladora, com possibilidade de entrada em vigor já no dia seguinte.
Se confirmado, o reajuste terá impacto sobre cerca de 1,15 milhão de unidades consumidoras distribuídas em 74 municípios sul-mato-grossenses. O percentual médio sugerido neste ano supera com larga margem o índice aplicado em 2025, quando o aumento aprovado para a concessionária foi de apenas 1,33%.
Além de representar um salto expressivo em relação ao reajuste anterior, o índice recomendado também fica muito acima da inflação registrada em Campo Grande. De acordo com os dados citados no processo, o IPCA acumulado em 12 meses entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026 ficou em 2,13%, o que coloca a alta da energia em patamar aproximadamente seis vezes superior ao indicador.
Embora o percentual médio projetado seja de 12,61%, os índices podem variar de acordo com o perfil de consumo. A planilha apresentada pela Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) aponta aumento de 12,49% para os consumidores de baixa tensão, grupo que inclui a maior parte das residências, e de 12,88% para os usuários de alta tensão, como setores industriais e grandes estabelecimentos.
Esses percentuais, no entanto, ainda podem ser ajustados antes da deliberação final. A proposta será analisada em reunião marcada para as 9h de terça-feira, quando os diretores da Aneel devem apreciar o relatório da diretora Agnes Maria de Aragão da Costa, responsável pelo processo tarifário da distribuidora.
Na comparação com o reajuste autorizado no ano passado, a diferença é significativa. Em 8 de abril de 2025, a diretoria colegiada da agência aprovou para a Energisa MS um reajuste médio de 1,33%, sendo 0,69% para consumidores de baixa tensão e 3,09% para os de alta tensão.
Segundo a Aneel, entre os fatores que mais pressionaram o reajuste da distribuidora estão os custos relacionados às atividades de distribuição de energia elétrica e o pagamento de encargos setoriais. A documentação técnica, contudo, não detalha de forma aprofundada as razões específicas para a elevação mais intensa neste ciclo tarifário.
O avanço do índice proposto também chama atenção quando comparado a outros indicadores inflacionários recentes. Na prévia da inflação divulgada pelo IBGE, o IPCA-15 acumulado entre março de 2025 e março de 2026 ficou em 3,9%, ainda assim bem abaixo do percentual sugerido para a energia elétrica em Mato Grosso do Sul.
Em outros estados, a agência já aprovou reajustes relevantes neste ano. Em março, a Enel Distribuição Rio recebeu autorização para aplicar aumento médio de 14,07% nas tarifas, enquanto a Light Serviços de Eletricidade S.A. teve revisão com elevação média de 8,59% para consumidores em municípios do Rio de Janeiro.
A discussão sobre o reajuste da Energisa MS ocorre dentro do processo tarifário previsto nos contratos de concessão do setor elétrico. A Aneel diferencia dois mecanismos principais: a Revisão Tarifária Periódica (RTP) e o Reajuste Tarifário Anual (RTA). A revisão periódica é mais ampla e considera fatores como custos eficientes da distribuidora, metas de qualidade e perdas de energia. Já o reajuste anual é aplicado nos anos em que não há revisão e atualiza parte da tarifa com base em índices inflacionários e fatores contratuais.
Em ambos os casos, permanecem embutidos na conta de luz custos com compra e transmissão de energia, além dos encargos setoriais que financiam políticas públicas definidas em lei. O resultado da votação da próxima terça-feira será decisivo para confirmar o tamanho do impacto no orçamento dos consumidores sul-mato-grossenses.
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