Polícia / Justiça
Defesa de Alcides Bernal pede sigilo em processo sobre morte de fiscal em Campo Grande
Ex-prefeito, preso por homicídio qualificado, tenta restringir divulgação de vídeos, interrogatório e outros elementos do caso de grande repercussão
02/04/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal, pediu à Justiça a decretação de sigilo processual no caso em que ele responde pela morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, assassinado a tiros no último 24 de março. O requerimento foi apresentado na quarta-feira, 1º de abril, e busca restringir o acesso a partes dos autos, especialmente mídias e documentos já expostos publicamente.
Segundo o advogado Gledson Alves, a ampla repercussão do caso teria extrapolado os limites da publicidade ordinária do processo. Na petição, a defesa menciona a divulgação de conteúdos como o vídeo da câmera de segurança da residência onde ocorreu o crime e também o interrogatório de Bernal, que passaram a circular em veículos de imprensa e redes sociais.
Com isso, os advogados pedem que o sigilo seja aplicado, ao menos de forma parcial, sobre as mídias já juntadas aos autos, o conteúdo do interrogatório e outros elementos considerados sensíveis. A defesa também requer providências para impedir novas divulgações de materiais do processo.
Além do pedido de sigilo, os advogados já solicitaram atendimento médico para o ex-prefeito, que segue custodiado em Sala de Estado Maior.
O caso continua cercado de controvérsia também em relação à dinâmica dos disparos. O delegado Danilo Mansur, responsável pela investigação na 1ª Delegacia de Polícia Civil, apontou que uma testemunha teria ouvido dois tiros com intervalo aproximado de cinco segundos. A defesa de Bernal, porém, contesta essa versão.
Representado pelo advogado Oswaldo Meza, o ex-prefeito sustenta que os disparos ocorreram em sequência imediata. Segundo a defesa, as imagens mostram fumaça de pólvora, mas não possuem áudio, e a ação teria ocorrido de forma contínua, sem tempo para uma segunda reação distinta.
O crime foi presenciado pelo chaveiro que acompanhava Roberto Mazzini no momento em que ele foi ao imóvel. Em seu depoimento inicial, a testemunha afirmou ter percebido apenas um disparo, argumento explorado pela defesa para questionar a tese apresentada pela polícia.
No local, no entanto, os investigadores encontraram duas cápsulas. A explicação apresentada pelos advogados é de que o revólver calibre .38 seria de ação rápida e, por isso, os dois tiros teriam sido efetuados quase simultaneamente.
Do outro lado, a defesa da família de Roberto Mazzini sustenta que não houve legítima defesa. O advogado Tiago Martinho, que atua em nome da família da vítima, afirma que as imagens registradas pelas câmeras apontam para uma execução.
Na avaliação dele, o fato de a vítima ter sido atingida por dois disparos, sendo um deles possivelmente a curta distância, enfraquece completamente a tese de reação defensiva. A interpretação da família é de que Bernal agiu de forma deliberada ao atirar.
O delegado Danilo Mansur também já se manifestou no mesmo sentido. Segundo ele, a hipótese de legítima defesa tende a perder força diante da dinâmica apurada até agora, especialmente porque o investigado teria chegado ao local já armado e iniciado os disparos logo após entrar no imóvel.
Conforme a investigação, um gerente da empresa de segurança que teria acionado Bernal sobre a suposta invasão também relatou ter ouvido dois tiros em momentos distintos, com pequeno intervalo entre eles. Para a polícia, esse elemento poderá ser decisivo caso os laudos periciais confirmem a sequência apontada pela apuração inicial.
O assassinato aconteceu em uma casa que anteriormente pertenceu a Bernal, mas que havia sido arrematada em leilão por Roberto Mazzini no ano passado. Na tarde do crime, o fiscal foi ao local acompanhado de um chaveiro, com o objetivo de tomar posse do imóvel, quando acabou sendo baleado.
Os disparos atingiram a região da costela, com transfixação, e a parte dorsal da vítima. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h e realizou manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas o servidor não resistiu.
Após o crime, Alcides Bernal se apresentou na Depac Centro, enquanto o chaveiro que presenciou a cena foi encaminhado ao Cepol para prestar depoimento. O caso segue sob investigação e ainda depende da conclusão dos exames periciais para definição mais precisa da dinâmica dos fatos.
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