Campo Grande (MS), Segunda-feira, 30 de Março de 2026

Política / Justiça

Presidente da CPI do INSS comprou avião de R$ 1,5 milhão e amplia pressão política sobre comando da comissão

Aeronave está registrada em nome de empresa ligada ao senador Carlos Viana, que já enfrentava desgaste por decisões e controvérsias na condução do colegiado

30/03/2026

17:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI mista do INSS, adquiriu em outubro de 2025 uma aeronave avaliada em R$ 1,5 milhão, segundo documentos divulgados nos últimos dias. O avião é um EMB-810D, fabricado pela Neiva em 1984, prefixo PT-RVD, com dois motores e capacidade para até cinco passageiros, além do piloto. A compra foi feita por meio da empresa Fazenda Salto Grande Ltda., da qual o parlamentar é sócio-administrador.

De acordo com os registros mencionados na reportagem, o valor do avião corresponde a cerca de 42% dos R$ 3,5 milhões em bens declarados por Carlos Viana na eleição municipal de 2024. A propriedade da aeronave aparece vinculada à empresa agropecuária do senador, sediada em Verdelândia (MG), cuja atividade principal declarada é a criação de bovinos para corte.

Em nota divulgada à imprensa, o senador afirmou que a aquisição foi realizada por uma pessoa jurídica regularmente constituída e que o registro seguiu a legislação em vigor. A equipe de Carlos Viana também sustentou que as quotas da empresa estão declaradas no Imposto de Renda desde 2022 e que todos os atos relacionados à compra obedeceram às normas fiscais, patrimoniais e registrais.

A revelação surge em um momento de desgaste político para o comando da CPI do INSS. O senador já vinha sendo alvo de críticas da base governista por causa da condução dos trabalhos da comissão, especialmente após o colegiado avançar sobre desdobramentos do chamado Caso Master e sobre o vazamento de informações sigilosas. Nos últimos dias, também vieram à tona questionamentos sobre repasses destinados à Fundação Oásis, ligada à Igreja Batista da Lagoinha.

Em reportagem publicada anteriormente, foi informado que Carlos Viana destinou recursos à fundação por meio de verba com destino específico à entidade, o que passou a ser usado por adversários como argumento para alegar possível conflito de interesse. O senador, por sua vez, afirmou que os repasses observaram os ritos legais e tiveram finalidade social.

O ambiente político ao redor da comissão ficou ainda mais tensionado depois da tentativa de prorrogação da CPI do INSS. O senador conseguiu no STF, por decisão do ministro André Mendonça, uma liminar que estendia os trabalhos do colegiado. No entanto, o plenário do Supremo derrubou a decisão por 8 votos a 2, restabelecendo o encerramento da comissão no prazo originalmente previsto.

Com a divulgação da compra do avião, o senador passa a enfrentar novo foco de cobrança pública em meio ao acúmulo de controvérsias políticas e institucionais ligadas à presidência da comissão. Até o momento, porém, não há indicação nas fontes consultadas de irregularidade formal reconhecida na aquisição da aeronave; o episódio, por ora, amplia sobretudo o desgaste político e a pressão sobre a atuação de Carlos Viana à frente do colegiado.


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