Política / Justiça
Polícia pede prisão preventiva de Bernal após morte de fiscal tributário em imóvel leiloado na Capital
Ex-prefeito confessou os disparos, alegou que não teve intenção de matar e sustenta legítima defesa, mas investigação aponta homicídio qualificado e reforça pedido de manutenção da prisão.
25/03/2026
06:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul pediu a prisão preventiva do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, após o assassinato do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde de terça-feira (24), em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, na região central da Capital. Bernal foi preso em flagrante, encaminhado ao sistema prisional e aguarda audiência de custódia nesta quarta-feira (25), quando o Judiciário decidirá se ele continuará detido ou se responderá ao processo em liberdade.
O caso ocorreu em meio a uma disputa patrimonial envolvendo um imóvel que pertencia ao ex-prefeito, mas havia sido leiloado por falta de pagamento e adquirido por Roberto Carlos Mazzini em 2025, pelo valor de R$ 2,4 milhões. De acordo com as informações já reunidas pela investigação, a vítima foi ao local acompanhada de um chaveiro, em um movimento relacionado à posse da casa, quando acabou baleada.

Em depoimento prestado à polícia, Bernal admitiu ter efetuado os disparos, mas afirmou que não tinha intenção de matar. Na versão apresentada pelo ex-prefeito, ele teria sido avisado de uma invasão ao imóvel, foi ao local armado e reagiu ao que classificou como ameaça. Em seu relato, o ex-prefeito ainda chamou a vítima de “cobra mandada” e insistiu que agiu para se defender.
A versão defensiva, porém, encontra resistência nos elementos iniciais reunidos pela polícia. O chaveiro que acompanhava Roberto Carlos Mazzini afirmou que Bernal chegou ao imóvel já com intenção de causar mal, sem disposição para qualquer diálogo sobre a situação. Esse depoimento passou a ser um dos pontos centrais da apuração, especialmente porque reforça a suspeita de que o ex-prefeito já teria ido ao local com disposição para o confronto.
Segundo o registro policial, o caso foi enquadrado como homicídio qualificado por traição, emboscada, dissimulação ou outro recurso que dificultou a defesa da vítima. Vídeos preliminares anexados aos autos mostram Bernal entrando no imóvel já portando uma arma de fogo, o que também pesou no entendimento inicial da autoridade policial. Conforme a investigação, houve uma discussão ainda na garagem da residência e, em seguida, o ex-prefeito sacou um revólver calibre .38 e efetuou dois disparos contra o fiscal tributário.
A vítima foi atingida no abdômen e nas costas, segundo a apuração inicial. O chaveiro relatou que Roberto Carlos Mazzini não teve tempo de reagir nem de se defender. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o servidor morreu ainda no local. A arma apreendida com Bernal continha três munições intactas e duas deflagradas, o que confirma, até aqui, a dinâmica básica descrita pela polícia.
Depois dos disparos, Bernal se apresentou espontaneamente na delegacia, dizendo que sua casa havia sido invadida e que acreditava estar sendo perseguido. A polícia então foi até o imóvel e encontrou Roberto Carlos Mazzini sendo atendido pelos bombeiros, sem sucesso na tentativa de salvamento. Após o depoimento, a autoridade policial decidiu não arbitrar fiança e formalizou o pedido de prisão preventiva, entendendo que a gravidade do caso e os elementos reunidos até o momento justificam a manutenção da custódia.
No início da noite, o ex-prefeito foi encaminhado ao PME (Presídio Militar Estadual). Como é advogado, a defesa argumenta que ele tem direito a cela especial, e tenta sustentar a narrativa de legítima defesa como principal linha jurídica neste momento. O advogado Wilton Edgar Acosta afirmou que o cliente possui porte de arma e foi alertado por uma empresa de segurança de que a residência estaria sendo arrombada. Segundo o defensor, Bernal teria sido agredido e ameaçado, o que o levou a reagir.
A investigação, no entanto, deve se concentrar agora em elementos objetivos, como as imagens das câmeras de segurança, a trajetória dos tiros, a posição da vítima e os depoimentos de testemunhas. A tese de legítima defesa dependerá diretamente da compatibilidade entre a versão apresentada por Bernal e os dados técnicos produzidos pela perícia. Até aqui, o que pesa contra o ex-prefeito é justamente a informação de que ele chegou ao local armado, iniciou o confronto e teria atirado sem dar chance de reação à vítima.
A morte de Roberto Carlos Mazzini, servidor da área tributária do Estado, ampliou a repercussão institucional do caso e transformou o episódio em um dos mais graves do noticiário de Mato Grosso do Sul neste ano. Com o pedido de prisão preventiva já formulado, o próximo passo decisivo será a audiência de custódia, que poderá definir a permanência de Bernal na prisão enquanto a Polícia Civil aprofunda a apuração sobre o homicídio e sobre as circunstâncias exatas da disputa pelo imóvel.
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