Política / Justiça
TJMS prorroga por mais três meses tornozeleira eletrônica de vereador e empresários investigados em Terenos
Medida atinge Arnaldo Glaglau e dois empresários ligados a apuração de esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 15 milhões aos cofres municipais
23/02/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) decidiu prorrogar por mais três meses o monitoramento eletrônico do vereador Arnaldo Glaglau (PSD), de Terenos, e dos empresários Rinaldo Cérdoba de Oliveira e Rogério Luís Ribeiro, investigados em esquema de corrupção na prefeitura do município.
Desde novembro de 2025, os três passaram a ser monitorados por meio de tornozeleira eletrônica, sob supervisão da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), após decisão judicial que atendeu a pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Na ocasião, o desembargador Jairo Roberto de Quadros determinou, além do monitoramento, a proibição de contato entre os investigados e os demais alvos da operação, bem como a vedação à celebração de novos contratos com o Poder Público.
Em janeiro de 2026, o TJMS autorizou o envio de cópia integral da investigação à Câmara Municipal de Terenos. Posteriormente, foi criada uma sala específica para que todos os vereadores pudessem consultar os documentos relacionados ao processo.
A apuração que resultou nas medidas cautelares foi desencadeada a partir da Operação Spotless, deflagrada em 9 de setembro de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).
Na ocasião, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão nas cidades de Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). O então prefeito Henrique Budke (PSDB) foi apontado como líder da organização investigada.
Segundo o Ministério Público, a estrutura criminosa operava com divisão de funções, envolvendo servidores públicos e empresários. As investigações indicam que licitações eram direcionadas mediante elaboração de editais sob medida, simulando concorrência regular. Apenas no último ano investigado, os contratos supostamente fraudados ultrapassaram R$ 15 milhões.
O esquema ainda previa pagamento de propina a agentes públicos responsáveis por atestar falsamente a execução de serviços e agilizar trâmites administrativos para liberação de pagamentos.
A Operação Spotless teve como base elementos obtidos na Operação Velatus, realizada em agosto de 2024, que já apontava indícios de irregularidades na gestão municipal.
A ação contou com apoio da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio do BPChoque e do Bope.
O MPMS denunciou à Justiça o prefeito afastado Henrique Budke e outras 25 pessoas por suposta participação no esquema. De acordo com o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, a investigação revelou a existência de organização criminosa instalada no Executivo municipal, com atuação sistemática para fraudar licitações e desviar recursos públicos.
Budke foi solto ainda em setembro de 2025, após concessão de habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O afastamento do cargo, inicialmente voluntário, foi posteriormente referendado pelo Judiciário.
Com a nova decisão do TJMS, as medidas cautelares permanecem em vigor enquanto o processo segue em tramitação.
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