Segurança Pública / Direitos Humanos
PMMS rebate acusação de “extermínio” e afirma que não direciona ações por identidade em caso de morte no Centro
Corporação sustenta que uso da força seguiu protocolos técnicos e que apuração será conduzida pelos órgãos competentes
17/02/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) divulgou nota oficial nesta terça-feira (17) para se posicionar sobre a ocorrência que resultou na morte da mulher trans Gabriella dos Santos, 27 anos, baleada durante abordagem policial na tarde de segunda-feira (16), na região central de Campo Grande.
No comunicado, a corporação rejeitou a classificação do episódio como “extermínio”, termo utilizado pela ATTMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul) em manifestação pública.
Segundo a Polícia Militar, o uso do termo “extermínio” pressupõe prática sistemática e direcionada contra determinado grupo social, o que, conforme a corporação, não encontra respaldo em dados oficiais.
“A instituição não possui histórico estatístico que sustente essa narrativa. Muito pelo contrário, possui um histórico de ações em prol da segurança e do bem-estar”, afirmou a PMMS.
A nota também enfatiza que o emprego da força policial não pode ser analisado exclusivamente pelo número de disparos efetuados, mas sim pelo contexto operacional e pela necessidade de cessar uma ameaça considerada concreta e imediata.
A corporação destacou ainda que suas ações não são direcionadas por identidade, condição ou pertencimento social, reafirmando atuação baseada na legalidade e nos protocolos técnicos.
Em nota assinada pela coordenadora interina Manoela Kika Rodrigues Veiga, a ATTMS afirmou que quatro disparos não podem ser automaticamente considerados legítima defesa sem análise técnica detalhada.
“O que se tem agora é o extermínio de uma pessoa trans”, declarou a entidade, que cobrou investigação rigorosa por parte do Ministério Público Estadual e demais órgãos competentes.
De acordo com o boletim de ocorrência, a ação policial ocorreu no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, nas proximidades da Praça Santo Antônio, área central da Capital.
Uma equipe do 1º Batalhão da Polícia Militar atendia chamado para averiguar pessoas em atitude suspeita. Durante a abordagem, houve tumulto após a prisão de um dos abordados.
Conforme a versão oficial:
Houve luta corporal entre Gabriella e policiais;
A arma de um militar caiu durante a confusão;
O revólver teria sido apanhado e apontado em direção à equipe;
Diante da situação, outro policial efetuou quatro disparos.
Gabriella foi atingida no peito, abdômen e perna. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu posteriormente na UPA do Bairro Coronel Antonino.
Durante a ocorrência, um soldado sofreu escoriação próxima ao nariz e arranhão no punho esquerdo.
Imagens de câmeras de segurança mostram que a arma caiu durante a luta corporal. A versão inicial divulgada indicava que o armamento teria sido retirado do coldre.
A perícia recolheu as armas dos policiais envolvidos. Três pessoas foram conduzidas à delegacia por desobediência e desacato.
A ACSMP (Associação e Centro Social dos Militares e Pensionistas de Mato Grosso do Sul) também divulgou nota em apoio aos agentes, classificando a reação como técnica e proporcional.
A Polícia Militar informou que o caso será submetido à apuração pelos órgãos competentes, incluindo a Corregedoria da PM e demais instâncias legais.
Esta é a 13ª ocorrência registrada como morte decorrente de intervenção de agente do Estado em 2026, sendo a 6ª em Campo Grande, conforme dados preliminares.
O caso segue sob investigação.
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