Economia Internacional
Líderes da União Europeia e do Mercosul assinam acordo e criam maior área de livre comércio do mundo
Tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais para entrar plenamente em vigor
17/01/2026
13:00
DA REDAÇÃO
Líderes comemoram a assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. — Foto: Reprodução/Governo do Paraguai
Os líderes da União Europeia e do Mercosul assinaram neste sábado (17) o acordo comercial entre os dois blocos, encerrando mais de 25 anos de negociações e abrindo caminho para a maior zona de livre comércio do mundo, que reúne cerca de 720 milhões de pessoas.
O tratado busca integrar de forma mais profunda os mercados europeu e sul-americano, com redução gradual ou eliminação de tarifas que abrangem mais de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Participaram da cerimônia a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos presidentes:
Javier Milei (Argentina);
Yamandú Orsi (Uruguai);
Rodrigo Paz (Bolívia);
Santiago Peña (Paraguai).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve presente e foi representado pelo chanceler Mauro Vieira. Na sexta-feira (16), Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro e destacou que o acordo envolve um PIB estimado em US$ 22 trilhões.
“Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, afirmou Lula.
“Vai além da dimensão econômica. UE e Mercosul compartilham valores como democracia, Estado de Direito, direitos humanos, direitos trabalhistas e proteção ambiental.”
Dados da Comissão Europeia indicam que o Brasil responde por mais de 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas à Europa, o que reforça o papel central do país na implementação e na ratificação do tratado.
Apesar da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor automaticamente. Os próximos passos incluem:
União Europeia: análise e aprovação pelo Parlamento Europeu; dependendo da interpretação jurídica, partes do tratado também podem precisar do aval dos parlamentos nacionais.
Mercosul: ratificação pelos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Há a possibilidade de aplicação provisória de trechos do acordo, especialmente os relacionados à redução tarifária, enquanto o processo legislativo avança. A vigência plena só ocorrerá após todas as aprovações internas.
Embora tenha sido aprovado por ampla maioria, o acordo enfrenta resistências internas na União Europeia, sobretudo no setor agrícola. Segundo autoridades europeias, 21 países apoiaram o tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra; a Bélgica se absteve.
A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que poderá adotar medidas unilaterais caso produtores franceses sejam prejudicados, citando restrições a produtos agrícolas sul-americanos que não atendam às normas ambientais e sanitárias europeias.
Criação de uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de consumidores;
Redução gradual de tarifas sobre produtos industriais e agrícolas;
Salvaguardas para a agricultura europeia;
Exigências ambientais e regulatórias mais rígidas;
Ampliação do comércio, investimentos e integração em cadeias globais de valor.
Para o Mercosul — e especialmente para o Brasil — o desafio agora é avançar em sustentabilidade e controle ambiental, fatores considerados decisivos para facilitar a ratificação e garantir acesso ampliado ao mercado europeu.
O acordo é visto por governos e setores industriais como um marco histórico do multilateralismo, ao mesmo tempo em que segue cercado de debates políticos, ambientais e econômicos que devem se intensificar durante o processo de ratificação.
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