Política Internacional
Lula diz que presença militar dos EUA “assombra” a América do Sul e alerta que intervenção na Venezuela seria “catástrofe humanitária”
Em discurso na 67ª Cúpula do Mercosul, presidente defende diálogo e critica ameaças ao regime de Nicolás Maduro
20/12/2025
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (20) que a presença militar dos Estados Unidos no entorno da Venezuela “assombra” a América do Sul e alertou que uma eventual intervenção armada no país vizinho seria uma “catástrofe humanitária”. A declaração foi feita durante a abertura da Mercosul, realizada em Foz do Iguaçu.
“Passadas mais de quatro décadas da Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados”, afirmou Lula em seu discurso aos chefes de Estado.
Na sequência, o presidente reforçou o alerta: “Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”.
Embora não tenha citado diretamente os Estados Unidos, a fala do presidente faz referência às recentes ameaças do governo Donald Trump ao regime do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Desde agosto, Washington ampliou a presença militar na América Latina sob o argumento de combate ao tráfico de drogas, com o deslocamento de navios de guerra para o Caribe e operações contra embarcações na região.
Lula reiterou que o Brasil defende uma saída diplomática para reduzir as tensões. Segundo ele, no início de dezembro houve uma conversa telefônica com Trump, ocasião em que o presidente brasileiro se colocou à disposição para ajudar na mediação de um diálogo com a Venezuela. O chefe do Planalto também afirmou ter tratado do tema diretamente com Maduro.
“Isto que eu disse ao Trump: ‘Se você tiver interesse de conversar com a Venezuela corretamente, nós temos como contribuir’. Agora, é preciso ter vontade de conversar, ter paciência. Assim, o Brasil tem se posicionado”, relatou.
A posição brasileira, segundo Lula, busca preservar a estabilidade regional, evitar agravamento humanitário e reafirmar o respeito ao direito internacional e à soberania dos países sul-americanos.
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