Política / Justiça
Prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira, é preso pela PF por suspeita de vazamento de dados sigilosos do STJ
Operação Sisamnes aponta organização criminosa que teria frustrado investigações; STF determinou prisões e buscas
27/06/2025
10:20
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (26) o prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), como parte de uma nova fase da Operação Sisamnes, que investiga o vazamento de informações sigilosas do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Também foram presos um advogado e um policial civil.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares. A ação visa aprofundar a apuração sobre a existência de uma organização criminosa voltada ao repasse antecipado de dados sigilosos, com impacto direto em operações da Polícia Federal.
De acordo com a PF, os vazamentos teriam sido utilizados para proteger aliados políticos, frustrar ações policiais e criar redes de influência. As investigações indicam que agentes públicos, advogados e operadores externos atuavam juntos para acessar e compartilhar informações confidenciais.
O nome de Eduardo já havia surgido na 9ª fase da Operação Sisamnes, em maio, quando foi alvo de busca e apreensão. Na ocasião, a PF chegou a solicitar seu afastamento da prefeitura, mas o pedido foi negado. Agora, com novos indícios, o STF determinou sua prisão preventiva.
A investigação também envolve o advogado Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos). Thiago está preso desde março deste ano, suspeito de ter acessado indevidamente um inquérito em andamento e repassado o conteúdo ao tio-prefeito.
Diálogos obtidos pela PF e revelados pela GloboNews indicam que Eduardo tinha conhecimento prévio de decisões no STJ e mencionava possuir uma “fonte no tribunal”. Ele, no entanto, nega envolvimento direto nos vazamentos e diz que apenas indicou um advogado a Thiago Barbosa.
O governador Wanderlei Barbosa não é alvo da investigação e nega qualquer participação ou recebimento de informação privilegiada.
As prisões desta sexta-feira ocorreram em Palmas, capital do Tocantins. A identidade do policial civil detido não foi divulgada. A defesa de Eduardo Siqueira e dos demais investigados ainda não se manifestou oficialmente.
O caso segue sob sigilo e está sendo conduzido sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal, devido à prerrogativa de foro dos investigados.
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