Campo Grande (MS), Terça-feira, 25 de Janeiro de 2022

Ampla Visão

Discurso: vale menos o conteúdo e mais a comunicação

26/11/2021

07:15

MANOEL AFONSO

LÍDIO LOPES: Com prestígio e habilidade o deputado (Patriota) se elegeu presidente da Unale ( União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais) durante a Conferência (24ª.) em Campo Grande. Antes já ocupara a presidência do Parlasul e a vice-presidência da entidade na presidência da deputada Ivana Bastos (PSD-BA). Lídio vai consolidando sua liderança e garantindo espaço no cenário.

MÁGOAS: Com a morte do senador Ramez Tebet (MDB) em 2006 assumiu o 1º suplente Valter Pereira, escolha pessoal de Wilson Barbosa Martins. Histórico, de currículo exemplar, senador atuante e mesmo assim foi excluído por André Puccinelli (MDB) para disputar a natural reeleição de 2010 em favor de Waldemir Moka, que se elegeu ao derrotar Murilo Zauith (DEM) por 32.814 votos de diferença e Dagoberto Nogueira (PDT) por 59.443 votos.

VÁLTER PEREIRA: Apesar da ‘trairagem’, saiu de campo sem perder a compostura, mas Moka não se reelegeu em 2018 perdendo para Nelsinho Trad (PTB) com 424.085 votos e Soraya Thronicke (PSL) com 373.712 votos. Sua primeira derrota após 9 vitórias consecutivas. Desgaste do poder? Agora aos 70 anos fala-se que ele disputaria a Câmara Federal em 2022. Mais um veterano do MDB recusando a ficar em casa.

PANORAMA: Com exceção daqueles novos, os partidos tradicionais, pela conduta estratégica de poder dos seus dirigentes, não se reinventaram. Sem gente nova para oxigenar ideias, os quadros, acabaram retrógados. Os exemplos estão aí no panorama partidário de Mato Grosso do Sul, onde há anos e anos reinam as mesmas figuras nas suas principais siglas.

É GERAL: A notícia de que o ex-presidente Michel Temer (MDB), aos 82 anos de idade, disputaria o Senado em 2022 mostra a ‘velocidade’ da ‘renovação’ partidária – pasmem - no Estado mais populoso do país! O argumento da ‘experiência’ é usado sempre para justificar a manutenção de personagens caciques, independentemente de quem esteja de plantão no ‘Alvorada’.

DEPUTADOS & AÇÕES: Paulo Corrêa (PSDB): renovou convênio para transmissão de programa da Defensoria Pública na TV ALEMS; esteve em Bataguassu ouvindo reivindicações de autoridades/lideranças; prestigiou Congresso da Unale. Zé Teixeira (DEM): conseguiu a implantação em 2022 de Curso Profissionalizante do Agronegócio em escola pública de Tacuru; tem Projeto de Lei da Semana de Cuidados Paliativos para incentivar a melhoria dos pacientes e o trabalho das equipes na saúde. Lucas de Lima (Solidariedade): agora é lei seu projeto sobre afixação de cartazes nos transportes públicos coletivos intermunicipal e unidades de saúde, sobre os benefícios da vacina anti-Covid-19; virou lei seu projeto que inclui a Educação em Direito Animal nas escolas. Pedro Kemp (PT); de acordo com seu projeto aprovado pela CCJR, 24 de março será comemorado o ‘Dia de Combate do Fake News’. Gerson Claro (PP): em Coxim visitou obras, ouviu reivindicações de lideranças locais: presidiu reunião da CCJR apreciando matérias de interesse público.

DIFICULDADES: Com as novas regras eleitorais os partidos terão ‘que se virar nos 30’ para terem candidatos e candidatas competitivas. E conseguirão? É o fim do voto de carona quando se votava num candidato e elegia outro. A farsa de ‘laranjas’ não terá condições para germinar. Teste de fogo também para os coronéis dos partidos.

AOS CANDIDATOS: A eficácia dos discursos é complicada. Na verdade, só depende de 7% do conteúdo e 93% da comunicação não verbal (expressão facial, voz, entonação e postura). Do que se fala, apenas pequena parcela é levada em consideração pelo ouvinte, eleitor e telespectador. Enfim, no frigir dos ovos, o que não é dito - mas que é visto - é o mais importante no contexto.

EXEMPLOS: Sobram, mas vamos nos ater a dois casos visíveis. Primeiro do candidato vitorioso Fernando C. de Mello (PTB) a presidência do Brasil. Convenceu a todos. Aqui na capital tivemos o radialista Alcides Bernal (PP) que fez de sua campanha e discurso a extensão de sua atividade profissional. Deu no que deu em ambos casos. De leve...

COTAÇÕES: Observadores calculam; o preço do voto em 2022 para deputado federal deve custar R$100,00 cada. Para deputado estadual, o para-choque da campanha, o custo chegará aos R$200,00. Normalmente os vereadores – os melhores cabos eleitorais - não pedem votos gratuitamente. Exigem 50% de entrada do valor combinado e a outra metade antes das eleições. Sem choro e sem vela.

SINUCA: Sem cacife para o embate nacional (vide as pesquisas) o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) teria outras opções para não voltar ao consultório. Caso o ministro Nelson Trad (PTB) seja candidato ao Governo ele seria candidato ao senado. Mas se o candidato for Marquinhos Trad (PSD) teria que concorrer à deputado estadual para não atrapalhar o deputado Fabio Trad (PSD), candidato a reeleição.

PRESTIGIADO: Mandetta é apadrinhado pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto e pelo governador Ronaldo Caiado de Goiás – duas figuras fortes do DEM. Daí que na futura fusão do DEM com o PSL, haveria um entendimento para que Mandetta e a senadora Soraya Thronicke possam conviver no partido ‘União Brasil’. Já a ministra Tereza Cristina (DEM) deve se filiar ao PL ou PP. 

PARLAMENTARES EM AÇÃO: Evander Vendramini (PP): pede ao Incra dados de emissão e entrega de títulos aos assentados rurais em Bonito; requer à Agesul reparos na MS-436 no município de Camapuã; seu projeto prevê inclusão de noções de Direito Constitucional nas escolas públicas. Antônio Vaz (REP): presente ao Congresso da Unale em Campo Grande; acompanha o cronograma de vacinação anti-Covid nos municípios interioranos. Capitão Contar (PSL): em Amambai e Caarapó inaugurou com autoridades e lideranças municipais as ‘Salas Lilás’ das Delegacias de Polícia viabilizadas com suas emendas; pede suspensão de protestos em cartório pela Energisa das dívidas de consumidores. Marçal Filho (PSDB): destinou este ano mais de R$340 mil em recursos para ampliar e reformar escolas, compra de móveis e computadores; pede incentivo tributário a produção leiteira. Nelsinho Trad (PSD) o senador viabilizou obras de asfalto em Paranaíba e a verba de R$13,5 milhões para a saúde da capital; seu relatório sobre a ‘BR do Mar’ foi aprovado pelo plenário do Senado.

SIMONE TEBET: A mídia nacional ignora o seu fraco desempenho nas pesquisas ao Senado. Se o voo à presidência abortar, ela teria que se acomodar como candidata (MDB) a deputada federal ou à Assembleia Legislativa. Mas para a Câmara concorreria com Waldemir Moka, ‘abençoado’ pelo ex-governador Puccinelli (MDB). Uma disputa nervosa devido ao coeficiente eleitoral pesado de mais de 165 mil votos.

PLACAR: Se estiverem bem avaliados os prefeitos ajudam nas urnas. Mas em baixa atrapalham. Em 2020 o MDB venceu em 8 cidades: Bataguassu, Brasilândia, Coronel Sapucaia, Dois Irmãos do Buriti, Laguna Carapã, Paranhos, Rio Verde de Mato Grosso e Rio Brilhante – a maior delas com 25 mil eleitores. Já o PSDB ganhou em 37 cidades: Corumbá, Três Lagoas e Ponta Porã as maiores.

ANALISTAS: Frentista de posto de gasolina, taxista e moto taxista tradicionalmente tem know-how para avaliar a atuação do prefeito, vereadores e opinar sobre aspectos do cotidiano social e econômico das cidades interioranas. Os pesquisadores confirmam: as informações deles têm respaldo nas respostas dos questionários respondidos. Portanto é bom ouvi-los.

‘GOLS DE LETRA’: Várias conquistas do MS sob o comando do governador Reinaldo (PSDB). As duas últimas: o lançamento, dia 13 de dezembro, da pedra fundamental da ponte de 680 metros da Rota Bioceânica no rio Paraguai e os recentes avanços técnicos e políticos em Brasília para viabilizar a curto prazo a implantação da Ferroeste (Maracaju-Porto de Paranaguá) com 1.285 kms de extensão.

AÇÕES PARLAMENTARES: Mara Caseiro (PSDB); aprovado projeto que declara de utilidade pública entidade de Bataguassu; pede sinalização na MS 141 entre Naviraí-Ivinhema e a construção de ponte no rio Salobra em Bodoquena. Amarildo Cruz (PT): CCJR aprovou seu projeto declarando de Utilidade Pública a Cooperativa de Produção e Prestação de Serviços Gerais de Porto Murtinho (COOPMUR); quer declarar de utilidade pública entidade musical do bairro Cruzeiro do Sul; residiu evento em homenagem a 30 batalhadores contra a desigualdade racial. Barbosinha (DEM): pede atenção especial do Governo à saúde mental dos servidores da Segurança Pública; prestigiando o Congresso da Unale. Lídio Lopes (Patriota): centrado na organização e comando do 24º Congresso da Unale nos dias 24,25 e 25 em Campo Grande. Neno Razuk (PTB): Pede melhoramentos na sinalização urbana de Água Clara; acompanha de perto os investimentos do Governo Estadual na área urbana de Dourados.

DUAS PÉROLAS: Lula e Dilma não mudam. Ignorando que na Alemanha há progresso, democracia liberdade de imprensa e eleições limpas, Lula (PT) disse na Espanha: “ Por que Ângela Merkel pode ficar 16 anos no poder, e Daniel Ortega não?” Já Dilma Roussef (PT) defendeu: “A China representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentes”.

HISTÓRIA: Na sanguinária Revolução Francesa 50 guilhotinas funcionavam por 6 horas diárias: 20 mil execuções. Apesar das críticas, só em 1981 o presidente François Mitterand aposentou a ‘democrática’ invenção. Ela cortou pescoços dos ‘inimigos’, de nobres, do Rei Luiz VXI e do próprio Danton, um dos líderes da Revolução - que provou assim do próprio veneno.

REFLEXÃO: “...Irvin D. Yalon, autor de ‘Quando Nietzsche Chorou’ e outros livros sobre relações pessoais confirmou: “Nossa imortalidade está condicionada à nossa gentileza, à maneira como tratamos conhecidos e desconhecidos”. Prosaico e profundo. É a cordialidade que nos manterá vivos na lembrança de quem convivem conosco. Nem bens materiais, nem prêmios, nem feitos: quando chegarmos ao final, nada contará tanto quanto nossos bons modos, nosso olhar amoroso e nossa disponibilidade para o afeto. É um alento. Morre cedo quem quer”. (Martha Medeiros)


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