Justiça / Ressocialização prisional
Gameleira emprega mais de mil internos e amplia serviços em escolas de Campo Grande
Projetos de trabalho prisional atendem 40 escolas estaduais, produzem alimentos e pães para doação e oferecem qualificação a trabalhadores do regime semiaberto
19/07/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O trabalho desenvolvido no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG/AGEPEN), em Campo Grande, tem ampliado as oportunidades de ressocialização para pessoas privadas de liberdade e gerado benefícios diretos para escolas públicas e instituições assistenciais da Capital.
Sob a supervisão do juiz corregedor Albino Coimbra Neto, com controle da Polícia Penal e apoio de instituições parceiras, mais de mil internos participam de atividades produtivas, serviços de manutenção, horticultura, panificação e ações externas.
A unidade abriga atualmente 1.606 pessoas. Desse total, 1.035 internos, o equivalente a aproximadamente 64% da população carcerária, exercem alguma atividade laboral. Entre os trabalhadores, 752 recebem remuneração pelos serviços realizados.
Os projetos incluem manutenção de prédios escolares, cultivo de verduras e legumes, produção de pães e capacitação prática. As atividades buscam transformar o período de cumprimento da pena em uma etapa de aprendizado, responsabilidade e preparação para o retorno ao convívio social.
Na tarde de quarta-feira, 15 de julho, representantes do sistema de Justiça e das instituições parceiras acompanharam a entrega de alimentos produzidos pela Horta Solidária da Gameleira à Escola Estadual José Mamede de Aquino, localizada no Jardim Aeroporto.
A unidade escolar atende mais de 600 alunos e recebeu pela primeira vez verduras e legumes cultivados pelos internos. A produção conta com orientação técnica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul e do Sistema Famasul, por meio do Senar/MS.
A diretora Juliana Silva explicou que a parceria com o Centro Penal já vinha gerando resultados antes mesmo da primeira doação de alimentos. Trabalhadores do regime semiaberto realizam serviços de jardinagem, pintura e pequenos reparos elétricos e hidráulicos na escola.
“Na escola, eles fazem um trabalho excelente. Só com jardinagem, teríamos um gasto semestral de aproximadamente R$ 3,5 mil. É um recurso que podemos direcionar de forma mais efetiva para os alunos”, afirmou.
No início deste ano, os trabalhadores também realizaram a pintura completa do prédio escolar.
“É algo significativo para a escola, para os apenados e para a sociedade de forma geral”, destacou Juliana Silva.
Atualmente, 40 escolas estaduais de Campo Grande recebem serviços de manutenção executados por trabalhadores da Gameleira. A equipe externa é composta por 12 internos do regime semiaberto, acompanhados por dois policiais penais.
O diretor do Centro Penal, o policial penal Ricardo Teixeira de Brito, afirmou que todas as atividades externas são realizadas com acompanhamento permanente e dentro dos procedimentos de segurança.
Com 25 anos de atuação na Polícia Penal, ele assumiu a direção da unidade em dezembro de 2024 e passou a coordenar os projetos internos e externos.
“Sob a supervisão do doutor Albino, que é o grande responsável por tudo o que está sendo realizado, temos suporte e orientações para o bom andamento dos trabalhos”, declarou o diretor.
Na Horta Solidária, os internos participam de todas as fases do cultivo, desde a preparação do solo até a colheita. O trabalho envolve semeadura, plantio, irrigação, adubação e manejo das culturas.
Segundo o coordenador da Assistência Técnica e Gerencial em Horticultura do Senar, Dorly Pavei, o projeto também funciona como espaço de qualificação profissional.
“O técnico vem todos os meses para acompanhar a horta, oferecer orientações e ensinar os trabalhadores a conduzir as culturas, plantar, irrigar e realizar a adubação. O resultado desse trabalho conjunto é a produção que estamos entregando hoje”, explicou.
As verduras e os legumes são destinados a escolas e instituições previamente cadastradas. A padaria instalada no Centro Penal também produz pães para ações solidárias, ampliando o alcance do projeto.
“Graças a essas parcerias, como a realizada com o Senar, conseguimos alcançar esses resultados. Temos ainda a padaria, que também realiza doações de pães”, afirmou o juiz Albino Coimbra Neto.
O trabalhador do regime semiaberto Júlio César da Silva Corrêa relatou que acompanhar o desenvolvimento das plantações proporciona satisfação e sentimento de pertencimento.
“A gente vê todos esses frutos, verduras e legumes e sabe: fui eu que plantei, fui eu que colhi. É prazeroso e muito satisfatório”, contou.
Além da remuneração e da remição da pena, as atividades proporcionam experiência profissional, disciplina e qualificação. O modelo também reduz custos de manutenção nas escolas e contribui com a segurança alimentar de instituições atendidas.
Para o juiz Albino Coimbra Neto, os resultados representam uma forma concreta de reparação social.
“Na Gameleira, cada parede recuperada, cada alimento colhido e cada pão compartilhado representa uma nova possibilidade: para quem trabalha, para quem recebe e para toda a sociedade”, concluiu.
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