Saúde / Mental
Tristeza ou depressão: saiba identificar quando é hora de procurar ajuda
Persistência dos sintomas, perda de interesse e prejuízo na rotina podem indicar depressão e exigem avaliação profissional
10/07/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Sentir tristeza diante de perdas, frustrações ou mudanças faz parte da experiência humana. Em geral, esse sentimento surge associado a uma situação concreta, diminui gradualmente e não impede completamente que a pessoa mantenha suas atividades ou vivencie momentos de satisfação.
A depressão, porém, é uma doença que ultrapassa uma reação emocional passageira. O transtorno pode durar semanas ou meses, provocar sofrimento intenso e comprometer o trabalho, os estudos, os relacionamentos e os cuidados pessoais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 280 milhões de pessoas convivem com a doença no mundo.
O problema pode atingir pessoas de qualquer idade, profissão ou condição social. Personalidades como o príncipe Harry, a cantora Lady Gaga, o ator Dwayne Johnson, o humorista Whindersson Nunes e a cantora Paula Fernandes já relataram publicamente experiências relacionadas à depressão, ajudando a ampliar o debate sobre saúde mental.
O médico psiquiatra Pedro Borges, do Instituto Maria Modesto, explica que a duração, a intensidade dos sintomas e o impacto sobre a vida cotidiana são fatores importantes para diferenciar a tristeza comum de um quadro depressivo.
De acordo com o especialista, a tristeza normalmente está relacionada a um acontecimento específico e tende a diminuir com o passar do tempo. Mesmo enfrentando sofrimento, a pessoa ainda consegue encontrar momentos de alívio, preservar vínculos e realizar parte de suas tarefas.
Na depressão, o quadro é mais persistente e pode envolver perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, cansaço frequente, dificuldade de concentração, culpa excessiva, sensação de inutilidade e falta de esperança.
“A tristeza costuma estar ligada a um acontecimento específico e, mesmo sendo dolorosa, tende a diminuir com o tempo. A pessoa continua conseguindo encontrar momentos de alegria e mantém, ainda que com dificuldade, suas atividades diárias”, explica Pedro Borges.
O psiquiatra ressalta que frases como “é só reagir” ou “pense positivo” não correspondem à realidade de quem enfrenta a doença.
“A depressão é uma doença que envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e deve ser tratada como qualquer outro problema de saúde”, afirma.
A busca por ajuda especializada é recomendada quando os sintomas permanecem por mais de duas semanas ou começam a interferir diretamente na rotina, no desempenho profissional, nos estudos, nos relacionamentos e nos cuidados básicos.
Isolamento social, crises recorrentes de choro, irritabilidade constante, alterações intensas no sono ou na alimentação, dificuldade para tomar decisões e perda de interesse pela vida também devem receber atenção.
Pensamentos relacionados à morte ou à própria desvalorização exigem avaliação imediata e não devem ser tratados como algo passageiro.
“Infelizmente, muitas pessoas chegam ao consultório apenas quando a doença já está em estágio mais avançado. Quanto mais cedo iniciamos o tratamento, maiores são as chances de recuperação e menor é o impacto na qualidade de vida”, alerta o médico.
O acompanhamento pode envolver psicoterapia, medicamentos antidepressivos, quando indicados, prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono e fortalecimento da rede de apoio.
A estratégia deve ser definida de forma individual, considerando a intensidade dos sintomas, o histórico do paciente e suas condições clínicas. O acompanhamento contínuo permite avaliar a evolução, ajustar a abordagem e reduzir o risco de recaídas.
“Procurar um psiquiatra não significa fraqueza, mas reconhecer que a saúde mental merece o mesmo cuidado que a saúde física”, destaca Pedro Borges.
Com 93 anos de atuação em Uberaba e região, o Instituto Maria Modesto (IMM) mantém atendimento psiquiátrico e recebe pacientes de mais de 80 municípios. A instituição é habilitada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para internação psiquiátrica integral no interior de Minas Gerais.
O instituto também oferece acompanhamento ambulatorial, permitindo que pacientes recebam atendimento especializado sem internação e preservem seus vínculos familiares, sociais e comunitários.
A hospitalização é indicada principalmente em situações de crise grave, risco à própria vida ou a terceiros e casos que exigem suporte intensivo. Além da assistência médica e de enfermagem, são desenvolvidas atividades de terapia ocupacional, educação física, aconselhamento psicológico, orientação sobre direitos e preparação para a alta.
“A saúde mental se constrói com respeito, acolhimento e informação. Procurar ajuda é um passo fundamental, e ampliar esse diálogo também faz parte do cuidado”, conclui o psiquiatra.
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