Política / Eleições 2026
Lula tenta destravar palanque em Minas, mas PT esbarra em resistência de Marília Campos
Após recuo de Rodrigo Pacheco, partido busca nome competitivo para o governo mineiro, enquanto ex-prefeita prefere disputar o Senado
28/06/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A montagem do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em Minas Gerais segue indefinida. Depois do recuo do senador Rodrigo Pacheco, do PSB-MG, que era tratado como principal aposta para disputar o governo estadual, o partido passou a discutir uma candidatura própria, mas enfrenta resistência interna para fechar o nome.
A principal pressão dentro do PT é para que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, entre na disputa pelo governo mineiro. Parte da legenda avalia que ela teria condições de reunir diferentes correntes políticas e costurar alianças com partidos aliados. A própria Marília, no entanto, defende outro caminho e insiste que sua disponibilidade é para disputar uma vaga ao Senado.
O impasse expôs divisões no PT de Minas Gerais e levou a discussão para Brasília. Sem consenso no diretório estadual, lideranças nacionais passaram a atuar diretamente para tentar construir uma chapa competitiva em um dos estados considerados mais estratégicos para a eleição presidencial.
Neste sábado, 27 de junho, durante evento com pré-candidatos no norte de Minas, Marília Campos voltou a demonstrar resistência à ideia de concorrer ao governo. Segundo ela, sua decisão antes de deixar a Prefeitura de Contagem foi se colocar exclusivamente como pré-candidata ao Senado.
“Antes de renunciar à Prefeitura de Contagem, eu disse que minha disponibilidade exclusiva era para ser pré-candidata ao Senado”, afirmou Marília.
A ex-prefeita também disse que pretende apresentar uma estratégia para a eleição estadual, tanto para o governo quanto para o Senado. Ela defende a formação de uma frente ampla, com partidos além da federação formada por PT, PCdoB e PV.
“Hoje temos uma possível costura que envolve o PT, o MDB, o PSB e não descarto também o PDT. Nós precisamos de uma grande conciliação de interesses. Nós precisamos de formação de frente única para a gente de fato disputar, com força, um projeto para Minas Gerais”, declarou.
A resistência de Marília Campos fez o presidente Lula e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, intensificarem conversas para tentar convencê-la a rever a posição. Edinho deve se reunir com a ex-prefeita em Minas Gerais neste domingo, 28 de junho, para tratar diretamente do assunto.
Interlocutores do partido afirmam que a conversa servirá para medir se há espaço para um encontro posterior com Lula. Caso a avaliação seja de que Marília está irredutível, o PT poderá buscar outro caminho para compor o palanque mineiro.
Entre as alternativas discutidas, está justamente a possibilidade defendida por Marília Campos: apoiar um nome de outra legenda fora da federação. Entre os nomes citados nesse cenário estão Alexandre Kalil, do PDT, Gabriel Azevedo, do MDB, e Jarbas Soares Júnior, do PSB.
Outra possibilidade seria apostar em um nome do próprio PT. O deputado estadual Reginaldo Lopes aparece como alternativa interna, embora pessoas próximas ao parlamentar afirmem que ele também defende Marília como melhor opção para a disputa. Nos bastidores, a avaliação é que uma eventual pré-campanha de Reginaldo começaria em desvantagem em relação a adversários já mais posicionados.
O PT também mantém conversas com o PDT. O presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, afirmou que fala quase diariamente com Edinho Silva e reconheceu que a articulação em Minas tem sido complexa.
“Eu quero unidade sempre, acho que é importante. O Lula, em Minas Gerais, ganha a eleição hoje e vai ganhar no dia. O que eu acho que é um equívoco do meu amigo Kalil é achar que a aliança com o PT é ruim. Eu acho boa”, afirmou Lupi.
A disputa em Minas é tratada como prioridade pela cúpula petista por causa do peso eleitoral do Estado. Sem uma definição rápida, o campo governista corre o risco de chegar à pré-campanha com palanque fragmentado, enquanto adversários avançam na construção de alianças regionais.
O desafio de Lula agora é equilibrar interesses locais, resistências internas e negociações nacionais para tentar fechar uma composição capaz de unir partidos aliados. A decisão sobre Marília Campos deve indicar se o PT insistirá em candidatura própria ou se abrirá espaço para apoiar outro nome em busca de uma frente mais ampla em Minas.
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