Política / Investigação
Simone Tebet defende saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado
Ex-ministra comentou operação da PF contra senador petista e classificou caso do Banco Master como grave
23/06/2026
11:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado, Simone Tebet (PSB-SP), afirmou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deve deixar o posto de líder do governo no Senado Federal. A declaração foi dada em entrevista ao Metrópoles, ao comentar a operação da Polícia Federal que teve o parlamentar petista como um dos alvos.
“Jaques Wagner tem que entregar a liderança do governo. Já tinha que ter feito isso. E, obviamente, deve estar esperando porque é assim que se faz, a primeira sessão legislativa do Senado, que deve ser amanhã”, disse Simone Tebet.
A fala ocorre após Jaques Wagner ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 18 de junho. A investigação apura desdobramentos relacionados ao caso do Banco Master, que se tornou um dos principais focos de desgaste político em Brasília.
Na entrevista, Simone Tebet classificou o escândalo envolvendo o Banco Master como uma situação “escabrosa” e “vergonhosa”. Segundo ela, o caso representa o “maior esquema de corrupção do sistema financeiro do Brasil, quiçá do mundo”.
A entrevista completa será exibida nesta terça-feira, 23 de junho, e integra uma série com pré-candidatos ao Senado por São Paulo. Além da investigação envolvendo o Banco Master, Tebet também comentou temas como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os cenários eleitorais em São Paulo e no país.
O senador Jaques Wagner admitiu ter pedido um apartamento de R$ 2,5 milhões a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A Polícia Federal investiga se o imóvel pode ter sido usado como forma de retribuição por eventual atuação do parlamentar no Senado em favor da instituição financeira.
Segundo Wagner, o pedido foi feito para que sua filha pudesse morar em Salvador. O senador afirmou que pretendia recomprar o imóvel de Augusto Lima, mas teria solicitado uma compra antecipada porque o ex-banqueiro atuava como investidor no mercado imobiliário.
Durante as diligências, a Polícia Federal encontrou US$ 49 mil em espécie e uma coleção de relógios de luxo no quarto de hotel usado por Jaques Wagner em Brasília. Em endereços ligados ao senador em Salvador, também foram localizados € 33 mil e US$ 6 mil.
A operação amplia a pressão política sobre o governo no Senado, já que Jaques Wagner ocupa uma função estratégica na articulação com os parlamentares. A eventual saída da liderança, como defendeu Simone Tebet, dependerá de decisão política do próprio senador e da base governista.
Até o avanço das apurações, o caso segue no campo investigativo. As próximas etapas devem indicar se os elementos reunidos pela Polícia Federal serão suficientes para novas medidas judiciais ou eventual responsabilização formal dos envolvidos.
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