Campo Grande (MS), Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Cidades / Serviços

Campo Grande fica sem tapa-buraco em quatro regiões e Sisep prepara mutirão noturno

Secretaria tenta recompor atendimento após suspensão de contratos investigados por fraude no serviço de manutenção das vias

23/06/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Quatro regiões urbanas de Campo Grande estão sem serviço regular de tapa-buraco desde maio, após a suspensão de contratos ligados a uma investigação sobre fraude na manutenção de vias públicas. A situação foi apresentada nesta terça-feira, 23 de junho, pelo secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Brandão, durante reunião com vereadores.

As regiões afetadas são Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu e Segredo. Elas faziam parte dos contratos suspensos depois da Operação Buraco sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para apurar suspeitas de manipulação de medições, pagamentos indevidos e desvio de recursos no serviço de tapa-buraco.

Segundo André Brandão, dos sete contratos existentes para o serviço na Capital, apenas três seguem em execução. O secretário afirmou que, mesmo com a redução da estrutura disponível, a pasta conseguiu ampliar a produtividade dos contratos ativos nos últimos 20 dias, após medidas administrativas adotadas logo no início da nova gestão.

“Eu me deparei com apenas três contratos em decorrência de uma operação recente. Dentro desses três contratos, nesses 20 dias, com algumas medidas administrativas que eu tomei de pronto, nós conseguimos dobrar a produção de atendimento desses contratos”, afirmou Brandão.

Para tentar reduzir o impacto da falta de atendimento em parte da cidade, a Sisep prepara uma equipe própria para executar reparos emergenciais. A secretaria também avalia realizar serviços durante a madrugada, período em que o fluxo de veículos é menor e a execução pode avançar com menos interferência no trânsito.

Além da equipe emergencial, a prefeitura estuda assinar termos aditivos nos contratos que continuam ativos, com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento. Paralelamente, a administração municipal trabalha em uma nova licitação para substituir a empresa que atuava nas quatro regiões hoje sem cobertura.

“Estamos trabalhando em um novo procedimento licitatório para substituir a empresa que estava nas quatro regiões que tiveram o contrato suspenso por causa de uma investigação”, disse o secretário.

A expectativa de André Brandão é que o serviço de tapa-buraco volte a atender as quatro regiões desassistidas até agosto. Durante a reunião, vereadores sugeriram alternativas para reforçar a manutenção das vias, incluindo eventual apoio do Exército Brasileiro e do Consórcio Central de Municípios.

O atual secretário assumiu a Sisep no início de junho, depois de um período de gestão interina na pasta. A troca ocorreu após a saída de Marcelo Miglioli, que pediu demissão em abril.

A crise no serviço de tapa-buraco ganhou força depois da Operação Buraco sem Fim, deflagrada em 12 de maio pelo MPMS. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

Entre os presos estavam Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura; Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep; Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias; Fernando de Souza Oliveira e Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, ex-servidores da secretaria; além do engenheiro civil Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa.

De acordo com a investigação, o grupo teria atuado em um esquema de fraude sistemática na execução de serviços de manutenção de vias públicas. A suspeita é de que medições tenham sido manipuladas para justificar pagamentos por serviços não executados ou entregues de forma diferente do contratado.

Os promotores apontam que os pagamentos públicos não correspondiam aos reparos efetivamente realizados. Para o MPMS, o esquema teria provocado prejuízo aos cofres públicos, enriquecimento ilícito dos investigados e baixa qualidade na conservação das ruas da Capital.

Levantamento citado na investigação indica que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada, Construtora Rial, acumulou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.

Durante o cumprimento das ordens judiciais, os investigadores encontraram valores em dinheiro vivo que somaram pelo menos R$ 429 mil. No endereço de Rudi Fiorese, foram localizados R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel ligado a um dos alvos, havia R$ 233 mil em notas de real.

A operação foi conduzida pelo Gecoc, Grupo Especial de Combate à Corrupção, em conjunto com o Gaeco, Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, a unidade de apoio à investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.

Em 11 de junho, o grupo investigado foi solto por decisão da 4ª Vara Criminal de Campo Grande. A investigação, no entanto, segue em andamento.

Enquanto a prefeitura tenta recompor os contratos e montar uma resposta emergencial, moradores das regiões sem tapa-buraco continuam enfrentando ruas danificadas, risco maior de acidentes e prejuízos a veículos. Para a administração municipal, o desafio imediato é retomar o atendimento sem comprometer a apuração das irregularidades e sem deixar a cidade ainda mais tempo sem manutenção viária.


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