Campo Grande (MS), Domingo, 14 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

Quaest aponta perda de apoio de Flávio entre evangélicos, mulheres e jovens

Detalhamento da pesquisa mostra avanço de Lula no segundo turno e queda do senador em segmentos estratégicos do eleitorado

14/06/2026

08:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO/IA

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, perdeu força em grupos importantes do eleitorado, como evangélicos, mulheres, jovens e moradores do Sudeste, segundo recortes da pesquisa Quaest. Os dados ajudam a explicar a mudança registrada no cenário nacional, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 6 pontos percentuais em uma simulação de segundo turno.

Desde março, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam em empate técnico nas simulações da Quaest. No levantamento de junho, o petista passou a marcar 44% das intenções de voto, contra 38% do senador do PL. A movimentação ocorre em meio à repercussão da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master.

O senador recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro para financiar a cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio passou a pesar no ambiente político e entrou no radar da pesquisa, especialmente entre eleitores menos alinhados ao núcleo bolsonarista.

Outro fator citado no contexto da mudança envolve decisões recentes dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, que afetaram diretamente o Brasil. Entre elas estão a classificação das facções CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. As medidas foram anunciadas após visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a integrantes do alto escalão norte-americano.

Queda no Sudeste e no Centro-Oeste/Norte

O levantamento mostra perda de apoio de Flávio Bolsonaro no Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. O Sudeste tem peso eleitoral decisivo por reunir dois dos maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas Gerais.

Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, a abertura de vantagem de Lula aparece de forma mais clara nesses dois recortes regionais. Para ele, a queda de Flávio foi maior que o avanço do petista, o que indica perda líquida de apoio do senador nesses segmentos.

No Sudeste, Flávio vem em trajetória de queda desde abril. O senador chegou a liderar na região com 12 pontos de vantagem, mas perdeu a dianteira e agora aparece em empate técnico com Lula, que mostra tendência de alta desde abril.

No agregado Centro-Oeste/Norte, Flávio oscilou 8 pontos para baixo. Em maio, o pré-candidato do PL tinha 14 pontos de vantagem sobre Lula nesse recorte. Agora, a diferença caiu para apenas 2 pontos, também dentro do cenário de empate técnico.

Jovens mudam de posição

A pesquisa mostra que Lula passou a ter vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro em todas as faixas etárias medidas. A mudança mais simbólica ocorreu entre eleitores de 16 a 34 anos, grupo em que o senador liderava nas rodadas anteriores.

Segundo Felipe Nunes, esse público representa o exemplo mais forte da virada registrada pela Quaest. Depois de três levantamentos consecutivos com vantagem numérica de Flávio entre os jovens, Lula aparece à frente nesse segmento.

Entre os eleitores de 35 a 59 anos, Lula manteve 44% das intenções de voto, enquanto Flávio oscilou de 40% para 38%. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o presidente passou de 46% para 44%, e o senador recuou de 38% para 37%.

Mulheres ampliam vantagem de Lula

O eleitorado feminino continua sendo um dos principais desafios para o campo bolsonarista. Segundo a Quaest, os acontecimentos de maio refletiram em números menos favoráveis para Flávio Bolsonaro, com ampliação da vantagem de Lula entre as mulheres.

Entre os homens, Flávio ainda aparece numericamente à frente, com 44%, contra 41% de Lula. Como a margem de erro nesse estrato é de 3 pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Em maio, o senador liderava entre os homens com 8 pontos de vantagem.

Evangélicos ainda preferem Flávio, mas vantagem cai

Entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro continua liderando, mas perdeu força. O senador recuou 9 pontos nesse segmento, e a vantagem sobre Lula caiu de 37 pontos para 21 pontos entre maio e junho.

O dado chama atenção porque o eleitorado evangélico é tradicionalmente um dos pilares de apoio do bolsonarismo. Mesmo mantendo liderança nesse grupo, a redução da distância indica maior dificuldade de sustentação do mesmo patamar de apoio registrado em levantamentos anteriores.

Renda e escolaridade também mostram mudança

A Quaest também aponta queda de Flávio Bolsonaro entre eleitores com renda acima de 2 salários mínimos e entre aqueles que cursaram ao menos o Ensino Médio.

No grupo com renda entre 2 e 5 salários mínimos, houve inversão da vantagem numérica, que passou de Flávio para Lula. Já entre eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, Flávio recuou de 51% para 46%, mas ainda mantém 12 pontos de vantagem sobre Lula, que aparece com 34%.

Na divisão por escolaridade, Lula lidera por 7 pontos entre os eleitores com Ensino Fundamental. Entre aqueles com Ensino Médio, o cenário passou a ser de empate técnico, com Flávio Bolsonaro marcando 41% e Lula, 40%.

Entre os eleitores com Ensino Superior, Flávio tinha 15 pontos de vantagem em maio. Agora, aparece apenas 3 pontos à frente de Lula, também em situação de empate técnico.

Para Felipe Nunes, a perda de tração de Flávio ocorre principalmente em segmentos que não pertencem necessariamente ao núcleo lulista, como os eleitores independentes. A leitura da Quaest é que esses grupos podem estar mudando de comportamento, o que deve ser acompanhado nas próximas rodadas da pesquisa.

A nova composição dos dados mostra uma disputa ainda polarizada, mas com sinais de instabilidade no campo de apoio a Flávio Bolsonaro. Para a corrida presidencial, os recortes indicam que a perda de força em segmentos decisivos pode influenciar diretamente a construção de alianças, estratégias de campanha e o comportamento do eleitorado menos ideológico.


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