Campo Grande (MS), Segunda-feira, 27 de Julho de 2026

Justiça / Criminal

TJMS mantém prisão preventiva de Alcides Bernal em processo por morte de fiscal tributário

Defesa pediu liberdade, medidas cautelares ou prisão domiciliar humanitária, mas habeas corpus foi negado por unanimidade

01/06/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou habeas corpus e manteve a prisão preventiva do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, acusado de matar a tiros o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini.

A decisão foi unânime. Bernal está preso desde 24 de abril, após o crime relacionado a uma disputa judicial envolvendo um imóvel arrematado em leilão.

A defesa do ex-prefeito pedia a liberdade, alegando que não estariam presentes os requisitos legais para a manutenção da prisão preventiva. Os advogados também argumentaram que a gravidade atribuída ao crime teria sido baseada, principalmente, no depoimento do chaveiro que acompanhava a vítima na data dos fatos.

De forma alternativa, caso a soltura não fosse concedida, a defesa solicitou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares ou por prisão domiciliar humanitária.

Entre os argumentos apresentados, os advogados afirmaram que Alcides Bernal tem 60 anos, endereço fixo e atividade lícita. Também sustentaram que ele possui comorbidades, incluindo cardiopatia grave com múltiplos stents, hipertensão e diabetes, além de fazer uso diário de medicamentos controlados e contínuos.

O relator do processo, desembargador Jairo Roberto de Quadros, votou pela manutenção da prisão. Segundo o magistrado, as circunstâncias do caso, a dinâmica dos fatos e as particularidades da conduta atribuída ao ex-prefeito indicam gravidade concreta e risco à segurança social.

No voto, o relator afirmou que as circunstâncias “culminam por delinear a gravidade concreta da conduta imputada, ensejando indicativos sobre a periculosidade do paciente, nociva à segurança e à incolumidade social”.

Sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária, o desembargador entendeu que não houve comprovação de que Bernal esteja sem atendimento médico adequado na unidade prisional onde está custodiado.

Impende salientar que não é a existência de eventual problema de saúde que autoriza a liberdade do custodiado mediante revogação da prisão preventiva, ou substituição da medida, mas, sim, a doença grave e a incontestável impossibilidade de tratamento enquanto em custódia estatal, o que, no caso, não restou confirmado, inexistindo, ainda, elementos a demonstrar que ao paciente não se estaria conferindo meios para o devido atendimento médico”, destacou o relator.

Os demais desembargadores da 3ª Câmara Criminal acompanharam o voto de Jairo Roberto de Quadros e negaram o habeas corpus por unanimidade.

Relembre o caso

O crime ocorreu em 24 de março. Segundo a investigação, Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após uma disputa envolvendo um imóvel que havia sido leiloado.

A disputa começou em 2023, quando a casa foi inicialmente ofertada por R$ 3,7 milhões, sem interessados. Em novo pregão, o valor caiu para R$ 2,4 milhões, e o imóvel acabou sendo arrematado por Roberto Mazzini.

Mesmo após a arrematação, Bernal se recusava a entregar o imóvel, o que gerou uma série de disputas judiciais.

No dia do crime, o ex-prefeito teria sido avisado por uma empresa de monitoramento de que pessoas haviam entrado na propriedade. A vítima estava no local acompanhada do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, que havia sido chamado para abrir a residência.

Imagens de câmeras de segurança mostram que o chaveiro chegou ao local por volta das 13h, enquanto Roberto Mazzini o aguardava dentro de uma caminhonete em frente ao imóvel. Em seguida, o fiscal orientou Maurílio a abrir a porta principal da casa.

Cerca de 35 minutos depois do início do trabalho, o chaveiro conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que entrou na área interna da residência. Os dois permaneceram no imóvel por aproximadamente cinco minutos.

Às 13h44min20s, as imagens mostram a chegada de Alcides Bernal à frente da casa. Cerca de 17 segundos depois, o ex-prefeito entrou no imóvel e, após alguns passos, efetuou o primeiro disparo contra o fiscal tributário.

De acordo com o laudo pericial citado no processo, o segundo tiro teria ocorrido em um ponto cego da câmera, quando Bernal se aproximou do corpo da vítima. Um dos disparos atravessou a região da costela de Roberto Mazzini.

As imagens também mostram o chaveiro deixando o local às 13h45min10s. Depois, Bernal aparece guardando a arma na cintura e saindo da casa. Em seguida, teria acionado a equipe da empresa de monitoramento, que funciona em frente ao imóvel.

Após mexer no celular, o ex-prefeito deixou a cena do crime. Posteriormente, ele se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro (Depac-Centro).

Na última semana, nos dias 26 e 27 de maio, foi realizada audiência de instrução e julgamento, com oitiva de testemunhas de acusação e defesa, além do interrogatório de Alcides Bernal.

Com o encerramento dessa fase, o juiz aguarda manifestação do Ministério Público Estadual para decidir se o ex-prefeito será pronunciado e levado a júri popular.


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