Campo Grande (MS), Quinta-feira, 23 de Julho de 2026

Clima / Previsão do Tempo

El Niño pode deixar inverno mais quente e ampliar ondas de calor em Mato Grosso do Sul

Segundo o Cemtec, estação deve ter menos ondas de frio, mas episódios pontuais de baixa temperatura ainda podem ocorrer entre junho e setembro

24/05/2026

06:30

CEMTEC

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O inverno de 2026 deve ser marcado por temperaturas mais elevadas e menor frequência de ondas de frio em Mato Grosso do Sul, segundo avaliação do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). A mudança no padrão climático está associada ao avanço do El Niño, fenômeno que tende a favorecer períodos de calor mais intenso no Estado.

A estação começa em 21 de junho e segue até 22 de setembro. Apesar da previsão de um inverno mais quente que o outono deste ano e também superior ao registrado em 2025, os meteorologistas não descartam episódios pontuais de frio ao longo do período.

De acordo com a meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, o El Niño deve reduzir a intensidade e a frequência das massas de ar frio, ao mesmo tempo em que pode favorecer ondas de calor durante o inverno.

Não se descartam alguns episódios de frio, mas não comparados ao inverno do ano passado”, explicou Valesca Fernandes. Segundo ela, 2025 foi mais gelado, enquanto 2026 deve apresentar temperaturas mais altas durante a estação.

O outono deste ano, iniciado em março e previsto para terminar em 20 de junho, foi marcado por quedas acentuadas de temperatura. Em Mato Grosso do Sul, algumas cidades registraram mínimas próximas de 2°C e sensação térmica negativa na primeira quinzena de maio.

Formação do El Niño tem probabilidade de 92%

Segundo o Cemtec, os sinais de formação do El Niño estão cada vez mais consistentes. As águas abaixo da superfície do Pacífico Equatorial registraram aquecimento pelo sexto mês consecutivo, reforçando a tendência de instalação do fenômeno.

A probabilidade de formação do El Niño ao longo do trimestre é de 92%. A expectativa inicial é de atuação com intensidade fraca a moderada entre julho e setembro.

Já entre setembro e dezembro, aumenta a possibilidade de o fenômeno ganhar força e atingir intensidade forte a muito forte, indicando maior impacto climático no segundo semestre de 2026.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno ocorre em intervalos irregulares, geralmente entre cinco e sete anos, e pode durar de um ano a um ano e meio.

No Brasil, seus efeitos variam conforme a região. Em geral, o El Niño favorece secas prolongadas no Norte e no Nordeste, chuvas mais intensas no Sul e comportamento mais irregular no Centro-Oeste, onde está Mato Grosso do Sul.

Calor pode aumentar procura por atendimento de saúde

A previsão de temperaturas mais altas no inverno também acende alerta para impactos na saúde. O tema foi discutido durante o lançamento do AdaptaSUS, realizado na quarta-feira, 20 de maio, no Auditório do Bioparque Pantanal, em Campo Grande.

O evento debateu os efeitos das mudanças climáticas na saúde da população a curto, médio e longo prazo.

Segundo Valesca Fernandes, as ondas de calor podem provocar aumento de casos de insolação, desidratação e outros problemas associados à baixa umidade relativa do ar.

O El Niño impacta bastante na questão das ondas de calor”, afirmou a coordenadora do Cemtec. Ela destacou que esse cenário pode elevar a procura por unidades de saúde, principalmente em períodos de calor intenso e tempo seco.

Além dos efeitos diretos no organismo, o calor combinado à estiagem também aumenta o risco de incêndios florestais. Para a saúde pública, uma das principais preocupações é a inalação de fumaça, que pode agravar problemas respiratórios.

Frio recente causou sensação térmica negativa em MS

Embora a tendência para o inverno seja de temperaturas mais elevadas, Mato Grosso do Sul enfrentou frio intenso em maio. Entre os dias 9 e 10, quatro pessoas morreram sob suspeita de hipotermia no Estado, em meio a registros de sensação térmica negativa em cidades como Dourados e Campo Grande.

No dia 11 de maio, a Capital amanheceu pelo terceiro dia consecutivo com sensação térmica abaixo de zero, conforme dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Por volta das 6h, a sensação chegou a -3,2°C.

No sábado, 9 de maio, Campo Grande viveu a noite mais fria de 2026, também com sensação térmica de -3,2°C, registrada às 22h. Na manhã de domingo, 10 de maio, Dia das Mães, o índice foi de -1,7°C.

A sensação térmica pode ficar abaixo da temperatura real por causa da combinação entre vento, umidade e temperatura do ar. Na ocasião, o Inmet classificou o nível de estresse por frio como moderado.

Depois desse período, as temperaturas mínimas subiram gradualmente em todo o Estado. No entanto, a partir de segunda-feira, 18 de maio, o frio voltou a Mato Grosso do Sul, com mínimas novamente abaixo de 10°C em algumas regiões.


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