Política / Justiça
Justiça mantém Rudi Fiorese preso em investigação sobre fraudes no tapa-buraco em Campo Grande
Ex-secretário de Obras teve habeas corpus negado pelo TJMS; decisão também manteve presos outros investigados na Operação Buraco sem Fim
19/05/2026
06:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça de Mato Grosso do Sul negou pedido de habeas corpus ao ex-secretário municipal de Obras de Campo Grande, Rudi Fiorese, investigado por suspeita de participação em fraudes no serviço de tapa-buracos da Capital. A decisão também alcança o ex-superintendente de obras Mehdi Talayeh e o ex-chefe do tapa-buraco, Edivaldo Aquino Pereira.
A liminar foi indeferida pelo desembargador Zaloar Murat Martins de Souza, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A decisão tem caráter provisório, e o mérito do habeas corpus ainda será analisado pelos demais integrantes do colegiado.
No despacho, o magistrado solicitou informações à juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, responsável pela expedição dos mandados de prisão cumpridos durante a investigação.
Até o momento, entre os sete investigados presos na operação, apenas o produtor rural Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como Peteca, obteve autorização para deixar a prisão. Ele passou para o regime de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, em razão da idade.
Segundo as investigações, Peteca é apontado como sócio oculto da Construtora Rial Ltda., empresa formalmente vinculada ao filho e à esposa dele. Também seguem presos Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, filho de Peteca, o ex-servidor da pasta de obras Fernando de Souza Oliveira e o auxiliar de fiscalização da Sisep, Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula.
A Operação Buraco sem Fim foi deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em 12 de maio de 2026. Na ocasião, foram cumpridos sete mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande, com foco na apuração de um suposto esquema de fraude em contratos de manutenção de vias públicas.
De acordo com o MPMS, a investigação identificou a atuação de uma organização criminosa voltada à manipulação de medições e à autorização de pagamentos por serviços que não teriam sido executados conforme contratado. A suspeita é de que o esquema tenha permitido o desvio de recursos públicos, o enriquecimento ilícito dos envolvidos e a entrega de serviços de baixa qualidade à população.
O levantamento dos investigadores aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02. Os valores envolvem serviços ligados à manutenção de ruas, especialmente o tapa-buraco, que se tornou o principal alvo da operação.
A Construtora Rial Ltda., tratada como peça central da investigação, possui atualmente R$ 147.621.717,54 em contratos de obras e serviços com o município de Campo Grande, conforme dados do Portal da Transparência. Ao todo, são oito contratos ativos, sendo o mais antigo firmado em 2022.
Desse total, cinco contratos são relacionados a serviços como tapa-buracos, manutenção de ruas de terra e sinalização viária, incluindo construção de lombadas. Esses contratos somam R$ 42.050.710,63.
A maior parte dos valores, no entanto, está concentrada em obras de recapeamento. A Rial atua em três frentes na Capital: região do Anhanduizinho, com contrato de R$ 52.157.356,45; região do Imbirussu, com R$ 29.783.245,48; e região do Segredo, com R$ 23.630.404,98.
Para os investigadores, a atuação da empreiteira teria seguido dinâmica semelhante à apurada na Operação Cascalhos de Areia, caso em que cinco dos atuais investigados já haviam sido denunciados. A nova apuração busca detalhar a extensão das supostas fraudes, o papel de cada envolvido e o impacto dos pagamentos suspeitos aos cofres públicos.
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