Polícia / Justiça
Empresário investigado por fraude em tapa-buraco deixa prisão e passa para regime domiciliar
Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa é um dos alvos da Operação Buraco sem Fim; outros investigados seguem presos.
18/05/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Justiça autorizou o produtor rural e empresário Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, preso na semana passada durante investigação sobre supostas fraudes em contratos de tapa-buraco em Campo Grande, a cumprir prisão domiciliar. Ele já deixou a unidade prisional e está em casa.
A decisão foi assinada pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias. O processo tramita em sigilo, o que restringe o acesso aos autos a advogados, promotores e servidores do Judiciário.
Apesar da mudança no regime de Antonio Roberto, outros investigados continuam presos. Entre eles estão Rudi Fiorese, ex-secretário municipal de Infraestrutura; Mehdi Talayeh, ex-superintendente de Serviços Públicos da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos); Edivaldo Aquino Pereira, ex-gerente de Manutenção de Vias da Sisep; Fernando de Souza Oliveira, ex-servidor da pasta; Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula, também ex-servidor da Sisep; e Antonio Bittencourt Jacques Pedrosa, engenheiro civil e filho de Antonio Roberto.
As defesas de Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e Edivaldo Aquino Pereira já apresentaram pedidos de liberdade à Justiça.
A Operação Buraco sem Fim foi deflagrada em 12 de maio de 2026 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A ação cumpriu sete mandados de prisão e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.
A investigação apura a suspeita de existência de uma organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução de serviços de manutenção de vias públicas, especialmente em contratos de tapa-buraco.
Segundo o MPMS, o esquema envolveria manipulação de medições e pagamentos por serviços que não teriam sido efetivamente prestados. A suspeita é de que as irregularidades tenham permitido o desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito de investigados e prejuízo à qualidade das vias municipais.
Levantamento citado na investigação aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa investigada acumulou contratos e aditivos no valor de R$ 113.702.491,02.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo. No endereço ligado a Rudi Fiorese, foram localizados R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel alvo da operação, foram encontrados R$ 233 mil, também em notas de real.
A operação foi conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), a Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e a 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.
De acordo com os investigadores, a atuação da empreiteira teria semelhança com o modo de operação apurado na Operação Cascalhos de Areia, caso em que cinco dos atuais investigados já haviam sido denunciados.
A Prefeitura de Campo Grande informou que solicitou acesso às denúncias envolvendo a Construtora Rial, empresa que mantém contratos ativos de tapa-buraco e foi alvo da Operação Buraco sem Fim.
Segundo o Executivo Municipal, a PGM (Procuradoria-Geral do Município) pediu acesso ao conteúdo do processo, que corre em segredo de Justiça, para avaliar as informações da investigação e embasar eventuais providências administrativas.
A apuração aponta suspeita de fraude em contratos que somam mais de R$ 113 milhões no período de 2018 a 2025. Como o caso segue sob sigilo, novas medidas dependerão do avanço das investigações e das decisões judiciais nos próximos dias.
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