Agronegócio / Clima
Frio intenso em MS aumenta risco de perdas nas lavouras de milho e feijão
Massa de ar polar agrava efeitos da estiagem, amplia risco de geadas e preocupa produtores da segunda safra no sul do Estado
10/05/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A queda acentuada das temperaturas em Mato Grosso do Sul aumentou a preocupação de produtores rurais com as lavouras de milho e feijão da segunda safra, especialmente nas regiões sul e extremo sul do Estado. Segundo análise divulgada pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a combinação entre estiagem, atraso no desenvolvimento das plantas e chegada de uma massa de ar polar amplia a vulnerabilidade das culturas nos próximos dias.
O alerta ocorre porque parte das lavouras já vinha sendo afetada pela redução das chuvas durante o período de implantação. No fim de abril, o Inmet apontou que as precipitações ajudaram a amenizar a estiagem em áreas produtoras de milho do Paraná e de Mato Grosso do Sul, mas não foram suficientes para reverter perdas já registradas em algumas regiões.
Agora, além do déficit hídrico acumulado, os produtores enfrentam o risco provocado pelo frio intenso. A massa de ar polar atua sobre a Região Sul, o sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul, com queda brusca de temperatura e possibilidade de geadas em áreas do centro-sul do país.
O quadro preocupa porque as lavouras de segunda safra entraram em fases consideradas críticas entre abril e o início de maio, período em que há maior demanda de água pelas plantas. A falta de chuva nas semanas anteriores comprometeu o desenvolvimento inicial e deixou as culturas mais expostas ao estresse climático.
No caso do milho, as baixas temperaturas podem afetar etapas importantes, como a polinização e o enchimento dos grãos, reduzindo o potencial produtivo. Já o feijão, considerado mais sensível ao frio, pode sofrer com abortamento floral, menor formação de vagens e perda de qualidade dos grãos.
Segundo o Inmet, a combinação entre déficit hídrico e estresse térmico representa risco elevado para culturas de verão ainda em desenvolvimento em áreas de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.
As regiões mais suscetíveis à formação de geada são as que concentram maior preocupação neste momento. Em Mato Grosso do Sul, o risco é maior no sul e no sudoeste, onde as temperaturas podem cair com mais força durante as madrugadas.
A previsão indica manutenção do frio ao longo da semana, com temperaturas baixas em grande parte do centro-sul do país. Em algumas áreas do Paraná e de Santa Catarina, os termômetros podem atingir marcas ainda menores, com potencial de geadas mais amplas.
Em Mato Grosso do Sul, a preocupação maior é com lavouras que já chegam fragilizadas pela estiagem. Nessas condições, mesmo uma geada localizada pode causar perdas mais severas, principalmente em áreas de baixada, onde o ar frio tende a se concentrar.
Antes da chegada da massa de ar polar, produtores já monitoravam os impactos da irregularidade das chuvas. O Inmet havia informado que, embora as precipitações do fim de abril tenham melhorado a umidade do solo, elas não foram suficientes para eliminar os prejuízos acumulados no milho segunda safra.
Em Ponta Porã, uma das regiões produtoras do Estado, o sistema de monitoramento agrometeorológico do Inmet já indicava estimativa de perda de produtividade para o milho no período de 20 de fevereiro a 4 de maio de 2026.
Esse cenário reforça a atenção sobre a safrinha, uma das principais atividades agrícolas de Mato Grosso do Sul. O milho segunda safra tem peso relevante na economia rural do Estado e depende diretamente da regularidade das chuvas e de temperaturas adequadas durante o desenvolvimento das plantas.
Apesar do risco para milho e feijão, culturas de inverno em fase inicial, como trigo, aveia, canola e pastagens, não devem apresentar impactos negativos significativos neste momento, segundo a avaliação agrometeorológica.
Essas culturas costumam ter maior tolerância a temperaturas baixas, especialmente quando ainda estão em estágios iniciais. O maior risco permanece concentrado nas lavouras de verão da segunda safra que ainda dependem de estabilidade térmica para completar o ciclo produtivo.
Diante do cenário, o Inmet recomenda que produtores acompanhem continuamente as atualizações meteorológicas para reduzir riscos no manejo das lavouras e no planejamento das atividades no campo.
O monitoramento é fundamental para orientar decisões sobre pulverização, irrigação, colheita, manejo de solo e proteção de áreas mais sensíveis. Em períodos de frio intenso, a diferença de poucos graus pode ser decisiva para o nível de dano nas lavouras.
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