Economia / Petróleo
Petróleo sobe mais de 4% e Brent passa de US$ 105 em meio à tensão entre EUA, Israel e Irã
Mercado reage à demora nas negociações sobre Hormuz, rota estratégica por onde passa parte relevante do petróleo mundial
28/04/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O preço do petróleo voltou a subir com força nesta terça-feira, 28 de abril, em meio à incerteza sobre as negociações para encerrar a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a avançar 4,05%, sendo negociado a US$ 105,81, equivalente a cerca de R$ 527,22, para entrega em julho.
Foi o maior valor desde a quinta-feira, 23 de abril, quando o Brent alcançou US$ 107,37. A commodity começou a sessão próxima de US$ 101, teve um primeiro pico por volta das 2h30, no horário de Brasília, ao atingir US$ 104,24, e voltou a acelerar durante a manhã, chegando ao patamar de US$ 105,81 às 8h45.
Depois da máxima, o preço recuou para a faixa dos US$ 104, mesmo após o anúncio de que os Emirados Árabes Unidos deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a partir de sexta-feira, 1º de maio. O contrato do Brent com entrega mais curta, para junho, chegou a US$ 112,70, cerca de R$ 561,55, e era negociado a US$ 111,01 por volta das 15h.
Nos Estados Unidos, o barril WTI, West Texas Intermediate, também voltou a superar a marca dos US$ 100. O contrato para junho chegou a US$ 101,81, aproximadamente R$ 507,29, com alta de 5,64%. O valor é o maior desde 9 de abril, quando o petróleo norte-americano foi negociado a US$ 102,70.
A escalada reflete a preocupação dos investidores com a falta de acordo entre Washington e Teerã, especialmente em relação ao estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. O Goldman Sachs avaliou que o Brent pode chegar a US$ 120 caso o conflito se prolongue.
Na segunda-feira, 27 de abril, a Casa Branca informou que analisava uma proposta iraniana para reabrir o estreito de Hormuz. A proposta incluiria flexibilização do controle iraniano sobre a passagem marítima e o fim do bloqueio de retaliação dos Estados Unidos a portos iranianos, sem interromper as negociações mais amplas, que também envolvem o programa nuclear do Irã.
Enquanto as conversas seguem sem conclusão, o tráfego na região permanece afetado. A tensão também impacta o fornecimento de derivados. Segundo a agência Bloomberg, a Aramco, uma das maiores empresas de petróleo do mundo, informou compradores que não entregará em maio o GLP, gás liquefeito de petróleo, conhecido no Brasil como gás de cozinha.
A empresa havia interrompido o envio do produto em 28 de fevereiro, depois que instalações em Juaymah foram atingidas por mísseis iranianos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta apresentada pelo Irã. Apesar disso, o governo iraniano declarou que não aceitará o que chamou de “exigências excessivas” dos norte-americanos.
O porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, afirmou, segundo a televisão estatal, que os Estados Unidos não estão em posição de impor sua política a países independentes. Ele disse ainda que Washington terá de abandonar exigências consideradas ilegais e irracionais por Teerã.
No Parlamento iraniano, avança uma proposta para colocar o estreito de Hormuz sob autoridade das Forças Armadas. O texto prevê a proibição da passagem de navios israelenses pela rota e determina que pedágios marítimos sejam pagos na moeda iraniana.
Apesar das restrições, um navio carregado com 132,89 mil metros cúbicos de GNL, gás natural liquefeito, atravessou o estreito em abril, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler. Foi a primeira travessia desse tipo desde o início da guerra.
O metaneiro Mubaraz, controlado pela Adnoc, estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, pode ter atravessado a região no fim de semana de 18 e 19 de abril, quando vários navios tentaram passar pelo estreito. A data exata, porém, ainda não foi confirmada, segundo o analista Charles Costerousse, da Kpler.
A tensão no mercado de energia também afetou as bolsas internacionais. Na Ásia, o índice CSI300, que reúne grandes empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,27%, enquanto o SSEC, de Xangai, recuou 0,19%. Também fecharam em queda as bolsas de Tóquio, com baixa de 1%, Hong Kong, com recuo de 0,95%, e Taiwan, com perda de 0,24%. A exceção foi Seul, que avançou 0,39%.
Na Europa, o índice Euro STOXX 600 encerrou o dia em baixa de 0,4%. Frankfurt caiu 0,18% e Paris recuou 0,46%. Já as bolsas de Londres, Milão e Madri fecharam em alta de 0,11%, 0,77% e 0,46%, respectivamente.
Nos Estados Unidos, por volta das 15h, o Dow Jones tinha leve alta de 0,01%, enquanto o Nasdaq caía 1,03% e o S&P 500 recuava 0,55%.
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