Campo Grande (MS), Sábado, 06 de Junho de 2026

Trabalho / Igualdade

Mulheres ocupam 36,7% dos empregos em grandes empresas de Mato Grosso do Sul

Relatório mostra que trabalhadoras são 83 mil dos 226,1 mil vínculos em empresas com 100 ou mais empregados no Estado

28/04/2026

14:00

DA REDAÇÃO

O levantamento revela que o número de mulheres pretas e pardas empregadas em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o equivalente a mais de 1 milhão de novas contratações formais

As mulheres ocupavam 36,7% dos vínculos empregatícios em estabelecimentos com 100 ou mais empregados em Mato Grosso do Sul em dezembro de 2025. Os dados fazem parte do Painel do Relatório de Transparência Salarial, divulgado na segunda-feira, 27 de abril, pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres, junto com o 5º Relatório Nacional de Igualdade Salarial.

No Estado, 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados reuniam 226,1 mil vínculos formais. Desse total, 83 mil eram ocupados por mulheres. Entre elas, 50 mil eram mulheres negras, o equivalente a 60,2%, e 32,9 mil eram mulheres não negras, correspondentes a 39,6%.

Os homens somavam 143,1 mil vínculos nesses estabelecimentos. Desse total, 95,1 mil eram homens negros, ou 66,4%, e 48 mil eram homens não negros, o equivalente a 33,5%.

Apesar da presença feminina no mercado formal, o levantamento aponta diferença expressiva de remuneração. Em Mato Grosso do Sul, as mulheres recebiam, em média, 26,1% menos que os homens nas empresas com 100 ou mais empregados.

A remuneração média das mulheres no Estado foi de R$ 3.065,70, enquanto a dos homens chegou a R$ 4.151,02. O recorte racial mostra uma desigualdade ainda mais acentuada: mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.658,43, abaixo das mulheres não negras, que receberam R$ 3.706,03.

Entre os homens, a média salarial também variou por raça. Homens negros receberam, em média, R$ 3.701,36, enquanto homens não negros tiveram rendimento médio de R$ 5.067,47.

No cenário nacional, o relatório mostra que o emprego feminino cresceu em empresas com 100 ou mais trabalhadores entre 2023 e 2025. O número de mulheres pretas e pardas nesses estabelecimentos passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, alta de 29%, o que representa mais de 1 milhão de novas contratações formais.

No mesmo período, o total de mulheres empregadas nessas empresas no Brasil passou de 7,2 milhões para 8 milhões, crescimento de 11%, com acréscimo de aproximadamente 800 mil trabalhadoras.

Mesmo com o avanço na contratação, a desigualdade salarial permanece. Em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados. O percentual aumentou em relação a 2023, quando a diferença era de 20,7%.

A diferença também aparece no momento da admissão. Segundo o estudo, o salário médio de entrada das mulheres ficou 14,3% abaixo do registrado para os homens em 2025, índice superior aos 13,7% verificados em 2023.

Durante a apresentação do relatório, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o debate sobre igualdade salarial envolve mais do que a comparação direta entre valores pagos a homens e mulheres.

“Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou.

A ministra também destacou a permanência de barreiras culturais e institucionais que afetam a trajetória profissional das mulheres. Segundo ela, é necessário ampliar o diálogo com entidades, confederações e diferentes instâncias federativas para enfrentar discriminações no ambiente de trabalho.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que a igualdade precisa alcançar também a progressão profissional. Para ele, o desafio não se limita ao pagamento igual para a mesma função, mas envolve a valorização das mulheres na ascensão das carreiras.

A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, classificou o relatório como instrumento importante para orientar políticas públicas, ações afirmativas e medidas voltadas à redução das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho.

O levantamento nacional abrange 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados no Brasil, com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Entre 2023 e 2025, o número de empresas desse porte cresceu 5,5%, passando de 50,7 mil para 53,5 mil.

No mesmo período, o emprego nesses estabelecimentos aumentou 7%, subindo de 18 milhões para 19,3 milhões de vínculos. O salário médio nacional nesses locais foi de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano ficou em R$ 2.295,36.

O relatório também estima que, para a massa de rendimentos das mulheres corresponder à participação feminina no emprego formal, hoje em 41,4%, seria necessário ampliar a remuneração das trabalhadoras em R$ 95,5 bilhões por ano. Segundo o estudo, essa equiparação elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país.

Outro ponto observado é a variação da desigualdade conforme o porte da empresa. Nos estabelecimentos com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima mais da dos homens, chegando a 90% de equivalência. Já nas empresas maiores, onde os salários tendem a ser mais altos, a distância salarial permanece mais ampla.

O relatório também aponta avanços na presença feminina em cargos de liderança. O número de estabelecimentos com mulheres em funções de gerência e direção, em quantidade suficiente para cálculo de paridade salarial, cresceu 12%, chegando a 13,7 mil empresas.

Entre as políticas afirmativas, 7% dos estabelecimentos informaram manter medidas de contratação de mulheres vítimas de violência. Empresas com mais de mil empregados aparecem entre as que mais adotam esse tipo de iniciativa, indicando maior estrutura para ações de inclusão e permanência no mercado de trabalho.


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