Política / Tecnologia
Clube da Imprensa debate uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 em MS
Palestra em Campo Grande reuniu comunicadores e pré-candidatos para discutir custos, ética e riscos de deepfakes
25/04/2026
21:30
DA REDAÇÃO
Bosco Martins, jornalista
O uso da inteligência artificial nas campanhas eleitorais de 2026 foi tema de debate promovido pelo Clube da Imprensa, em Campo Grande, neste sábado, 25 de abril. O encontro reuniu jornalistas, radialistas, influenciadores digitais, produtores de campanha, pré-candidatos e profissionais da comunicação para discutir os impactos da tecnologia no processo eleitoral.
A palestra, intitulada “Democracia na era da IA: entre algoritmos e votos, o novo campo de batalha eleitoral”, foi conduzida por Bosco Martins, jornalista, estudioso de inteligência artificial e apontado como o primeiro profissional da imprensa brasileira a produzir um videojornal inteiramente gerado por IA.
A apresentação começou com a imagem de um avatar do governador Eduardo Riedel dando boas-vindas aos participantes. O recurso serviu como demonstração prática do uso da tecnologia na comunicação política e ajudou a introduzir o debate sobre os limites entre inovação, transparência e manipulação de conteúdo.
Durante a exposição, Bosco Martins afirmou que a inteligência artificial pode reduzir em até 50% os custos de campanhas eleitorais. Segundo ele, ferramentas generativas permitem produzir vídeos, textos, peças para redes sociais, avatares e materiais de divulgação com menor investimento e maior velocidade.
O jornalista, porém, alertou que o barateamento das campanhas vem acompanhado de riscos. Entre os principais pontos de preocupação estão a disseminação de deepfakes, o uso de imagens falsas, vozes sintéticas e conteúdos manipulados capazes de confundir o eleitorado.

Em Mato Grosso do Sul, o tema ganha relevância diante de um universo de quase 2 milhões de eleitores distribuídos pelos 79 municípios. Conforme apresentado na palestra, cerca de 52% do eleitorado sul-mato-grossense é formado por mulheres, o que reforça a importância de estratégias digitais bem planejadas e transparentes.
Como exemplo do uso intensivo da tecnologia em pré-campanha, Bosco Martins citou ações atribuídas ao grupo político de Romeu Zema (Novo), com produção de vídeos virais, avatares e vozes sintéticas nas redes sociais. Para o palestrante, esse tipo de estratégia mostra como a inteligência artificial já começa a influenciar a comunicação eleitoral nacional.
Um dos pontos centrais da palestra foi a necessidade de transparência. Bosco Martins destacou que campanhas bem-sucedidas deverão deixar claro quando conteúdos forem produzidos ou alterados por IA, conforme prevê a regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O jornalista também ressaltou que a regulamentação, sozinha, não elimina os riscos. A velocidade de compartilhamento nas redes sociais, a dificuldade de identificar autores de conteúdos falsos e a capacidade de manipulação de vídeos e áudios tornam o trabalho de fiscalização mais complexo.
Segundo ele, a eleição de 2026 será um teste para candidatos, partidos, instituições e eleitores. A inteligência artificial poderá ampliar o acesso à comunicação política, mas também exigirá mais atenção para evitar que conteúdos falsos comprometam a integridade do debate público.

Durante o encontro, também foi citado o uso da própria tecnologia no combate à desinformação. Um dos exemplos apresentados foi o bot “Tá Certo Isso Aí?”, desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), capaz de analisar textos, áudios, imagens e vídeos a partir do cruzamento com fontes oficiais.
O debate promovido pelo Clube da Imprensa também antecipa discussões que devem ganhar força em Mato Grosso do Sul entre 22 e 24 de julho, quando o auditório do Bioparque Pantanal, em Campo Grande, sediará a 59ª edição do Colégio de Corregedoras e Corregedores Eleitorais do Brasil (Ccorelb). O evento terá entre seus focos o combate às fake news impulsionadas por IA nas eleições.
Para o presidente do Clube da Imprensa, Lupércio Marques, o encontro representou um momento de troca e fortalecimento do jornalismo. A empresária de comunicação Maria Cândida, proprietária da Difusora/Jovem Pan de Três Lagoas, avaliou que a palestra tratou o tema com profundidade e mostrou o potencial da IA como ferramenta estratégica de inovação.
A jornalista Guta Rufino, também da Jovem Pan de Três Lagoas, destacou que a inteligência artificial deixou de ser novidade e passou a integrar a rotina da comunicação, especialmente em ano eleitoral. Já Tião Prado, do Ponta Porã Informa, avaliou que a tecnologia pode ser uma ferramenta positiva, desde que usada com responsabilidade e sem fake news.
O encontro terminou com confraternização e homenagem a Bosco Martins, que faz aniversário em 27 de abril. Participaram comunicadores, jornalistas, assessores, produtores, pré-candidatos e profissionais de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
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