Política / Homenagem
Prefeitura de Campo Grande decreta luto oficial de três dias pela morte de Nelly Bacha
Ex-prefeita da Capital morreu aos 84 anos e deixa trajetória marcada pelo pioneirismo na política, atuação na educação e passagem histórica pelo Executivo municipal
09/04/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A Prefeitura de Campo Grande decretou luto oficial de três dias pelo falecimento de Nelly Elias Bacha, ex-prefeita da Capital e primeira mulher a assumir o comando do Executivo municipal. A decisão foi publicada em edição extra do Diogrande, nesta quinta-feira, 9 de abril, e determina ainda que a bandeira do município seja hasteada a meio mastro em sinal de pesar.
Nelly Bacha morreu aos 84 anos e deixa uma trajetória de forte presença na vida pública de Campo Grande. Ao longo da carreira, atuou como vereadora, presidiu a Câmara Municipal e entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a ocupar a chefia da prefeitura da cidade.
Natural de Corumbá, onde nasceu em 2 de agosto de 1941, Nelly era descendente de libaneses e se mudou ainda criança para Campo Grande, cidade onde construiu sua vida pessoal, profissional e política. Formou-se em Filosofia e em Direito, trabalhou como professora da rede pública e também presidiu a ACP, entidade sindical ligada aos profissionais da educação pública, período em que participou de mobilizações por direitos da categoria e pela realização de concursos.
Na política, ingressou pelo MDB, partido ao qual permaneceu vinculada durante toda a trajetória. Em um período ainda marcado pela oposição à ditadura, teve como referências nomes como Wilson Barbosa Martins, Plínio Barbosa Martins e Ulysses Guimarães. Sua atuação parlamentar ficou associada à presença constante nos bairros e à defesa de pautas ligadas principalmente à educação e às demandas das comunidades mais periféricas.
Durante o período em que exerceu mandato como vereadora, entre 1973 e 1988, Nelly Bacha se destacou por cobrar diretamente do poder público soluções para problemas enfrentados pela população. Uma de suas bandeiras mais lembradas era a defesa de que toda criança tivesse acesso à escola, tema que costumava levar às visitas feitas nas comunidades e aos pronunciamentos em plenário.
A ex-prefeita também presidiu a Câmara Municipal nos anos de 1983 e 1984. Foi nesse intervalo que assumiu a prefeitura por pouco mais de dois meses, em 1983, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo em Campo Grande. Entre as ações de sua breve gestão no Executivo, estão a quitação de quatro folhas salariais atrasadas dos servidores municipais e a implantação de galerias pluviais na Avenida Euler de Azevedo.
Além da vida pública, Nelly também atuou como advogada, prestando assistência gratuita a diversas pessoas, especialmente em causas trabalhistas. Sua trajetória, por isso, é lembrada tanto pelo pioneirismo institucional quanto pela presença em diferentes frentes de atendimento à população.
O velório da ex-parlamentar será realizado no Plenário Oliva Enciso, na Câmara Municipal de Campo Grande, em horário ainda a ser confirmado. A despedida acontece em meio às homenagens prestadas por diferentes setores da vida pública da Capital.
A biografia de Nelly Bacha, no entanto, também foi marcada por episódio judicial de grande repercussão. Em 2020, ela foi condenada a um ano de reclusão, com pena substituída pelo pagamento de um salário mínimo a uma instituição beneficente, por injúria racial contra uma mulher em uma fila de supermercado. O caso teve origem em 2014, após a vítima decidir representar criminalmente. Segundo o processo, o relato foi confirmado por testemunhas, e a sentença também fixou 10 dias-multa, calculados com base em 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos.
Na ocasião, a defesa sustentou que Nelly, então com 79 anos, era ré primária, argumento considerado no processo. O episódio passou a integrar a trajetória pública de uma figura histórica da política campo-grandense, cuja vida reuniu, ao mesmo tempo, protagonismo institucional, atuação social e controvérsias judiciais.
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