Política / Governo
Reforma ministerial avança com saídas para a eleição e governo Lula redefine comando de 18 pastas
Mudanças foram aceleradas pelo prazo de desincompatibilização e provocaram substituições em áreas estratégicas da Esplanada dos Ministérios
04/04/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A reta final do prazo de desincompatibilização eleitoral provocou uma ampla mudança na composição da Esplanada dos Ministérios e levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a promover uma nova rodada de substituições no primeiro escalão. Ao menos 18 ministérios tiveram alteração no comando, e a maioria das pastas passou a ser ocupada por nomes que já integravam a estrutura interna do próprio governo.
As trocas ocorreram porque ministros interessados em disputar as eleições deste ano precisavam deixar os cargos até sábado, 4 de abril, respeitando a regra legal que exige afastamento de funções públicas com antecedência mínima de seis meses antes do primeiro turno. A norma vale para ocupantes de diferentes funções públicas, como ministros, secretários e dirigentes, mas não se aplica aos cargos de presidente e vice-presidente da República.
Durante reunião ministerial realizada na última semana, Lula afirmou que optou por preencher as vagas, em grande parte, com pessoas que já atuavam na administração federal, com o objetivo de preservar a continuidade dos trabalhos e evitar rupturas na condução das políticas públicas. A decisão reforçou o papel dos secretários-executivos e de quadros técnicos que já participavam do cotidiano das respectivas pastas.

Entre as mudanças mais relevantes está a saída do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, de onde se afastou para disputar a reeleição como vice-presidente. Para seu lugar foi designado Márcio Elias Rosa, que exercia a função de secretário-executivo da pasta.
No Ministério das Relações Institucionais, a ministra Gleisi Hoffmann (PT) deixou o cargo para disputar o Senado pelo Paraná. Até o momento registrado no material encaminhado, o substituto definitivo ainda não havia sido anunciado, ficando o comando interino com Marcelo Costa, atual secretário-executivo.
A Casa Civil também passou por troca. Rui Costa (PT) deixou o posto com a perspectiva de disputar o Senado pela Bahia, e a nova titular passou a ser Miriam Belchior, que ocupava a secretaria-executiva da pasta. Na Fazenda, Fernando Haddad (PT) se desincompatibilizou para tentar o Governo de São Paulo, sendo substituído por Dario Durigan, até então secretário-executivo.
Na área de infraestrutura, o Ministério dos Transportes teve a saída de Renan Filho (MDB), que deve disputar o Governo de Alagoas, com entrada de George Santoro. Em Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos) deixou a função, e Tomé Barros Monteiro da Franca assumiu o comando. Já no Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB) saiu para concorrer ao Senado por São Paulo, e a pasta passou a ser chefiada por Bruno Moretti.
Na agenda ambiental e social, Marina Silva (Rede) deixou o Ministério do Meio Ambiente, sendo substituída por João Paulo Ribeiro Capobianco. Em Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo (PT) deixou a pasta para disputar vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e o posto passou para Janine Mello dos Santos. No Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT) saiu para buscar a reeleição como deputado federal por São Paulo, com entrada de Fernanda Machiaveli.
Na área da educação, Camilo Santana (PT) deixou o Ministério da Educação, e a pasta passou a ser comandada por Leonardo Barchini. No Esporte, André Fufuca (PP) saiu para disputar o Senado pelo Maranhão, dando lugar a Paulo Henrique Cordeiro Perna. No Ministério das Cidades, Jader Filho (MDB) se afastou para disputar vaga de deputado federal pelo Pará, sendo substituído por Antônio Vladimir Lima.
Outras alterações ocorreram em áreas ligadas a direitos e representatividade. Em Igualdade Racial, Anielle Franco (PT) deixou o ministério para disputar vaga na Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, com entrada de Rachel Barros de Oliveira. No Ministério dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL) saiu para tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo, e Eloy Terena assumiu o cargo.
Também houve mudanças no setor produtivo e no agronegócio. No Ministério da Aquicultura e Pesca, André de Paula (PSD) deixou a função para assumir o Ministério da Agricultura e Pecuária, sendo sucedido por Rivetla Edipo Araujo Cruz. Já na Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD) saiu para disputar a reeleição ao Senado por Mato Grosso, e o próprio André de Paula foi deslocado para a nova função. No Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB) deixou o cargo, e o substituto passou a ser Tadeu de Alencar, ex-deputado federal pelo PSB.
Quem sai e quem entra nos ministérios
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Sai: Geraldo Alckmin (PSB)
Entra: Márcio Elias Rosa
Relações Institucionais
Sai: Gleisi Hoffmann (PT)
Entra: Marcelo Costa, interinamente; substituto definitivo ainda não anunciado
Casa Civil
Sai: Rui Costa (PT)
Entra: Miriam Belchior
Fazenda
Sai: Fernando Haddad (PT)
Entra: Dario Durigan
Transportes
Sai: Renan Filho (MDB)
Entra: George Santoro
Portos e Aeroportos
Sai: Silvio Costa Filho (Republicanos)
Entra: Tomé Barros Monteiro da Franca
Planejamento e Orçamento
Sai: Simone Tebet (PSB)
Entra: Bruno Moretti
Meio Ambiente
Sai: Marina Silva (Rede)
Entra: João Paulo Ribeiro Capobianco
Direitos Humanos e Cidadania
Sai: Macaé Evaristo (PT)
Entra: Janine Mello dos Santos
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar
Sai: Paulo Teixeira (PT)
Entra: Fernanda Machiaveli
Educação
Sai: Camilo Santana (PT)
Entra: Leonardo Barchini
Esportes
Sai: André Fufuca (PP)
Entra: Paulo Henrique Cordeiro Perna
Cidades
Sai: Jader Filho (MDB)
Entra: Antônio Vladimir Lima
Igualdade Racial
Sai: Anielle Franco (PT)
Entra: Rachel Barros de Oliveira
Povos Indígenas
Sai: Sônia Guajajara (PSOL)
Entra: Eloy Terena
Aquicultura e Pesca
Sai: André de Paula (PSD)
Entra: Rivetla Edipo Araujo Cruz
Agricultura e Pecuária
Sai: Carlos Fávaro (PSD)
Entra: André de Paula
Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte
Sai: Márcio França (PSB)
Entra: Tadeu de Alencar
A nova configuração ministerial mostra que o governo optou por uma transição de baixo impacto estrutural, priorizando nomes já integrados à máquina pública. Ao mesmo tempo, a movimentação confirma a largada do calendário eleitoral dentro da própria administração federal, com ministros deixando cargos estratégicos para entrar diretamente na disputa de 2026.
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