Meio Ambiente / Política
Lula amplia áreas protegidas no Pantanal e no Cerrado, mas Mato Grosso do Sul fica fora dos novos decretos
Anúncios feitos em Campo Grande durante a abertura da COP15 contemplam unidades em Mato Grosso e uma reserva em Minas Gerais
22/03/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, neste domingo, 22 de março de 2026, um pacote de decretos ambientais durante a sessão de alto nível da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, mas nenhuma das medidas anunciadas contemplou áreas localizadas em Mato Grosso do Sul. Os atos oficiais ampliam unidades de conservação no Pantanal mato-grossense e criam uma nova reserva de desenvolvimento sustentável em Minas Gerais.
No Pantanal, o governo federal formalizou a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e da Estação Ecológica de Taiamã, ambas em Mato Grosso. Juntas, as duas expansões somam cerca de 104,2 mil hectares adicionais sob proteção ambiental, elevando a cobertura protegida em uma das regiões mais sensíveis do bioma.
A ampliação do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense acrescenta cerca de 47,2 mil hectares, levando a unidade de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. Já a Estação Ecológica de Taiamã incorpora aproximadamente 57 mil hectares, passando de 11,5 mil para 68,5 mil hectares. Segundo o governo federal, os investimentos previstos são de R$ 66 milhões para o parque e R$ 80 milhões para a estação ecológica, com foco em regularização fundiária, conservação da biodiversidade e proteção de espécies ameaçadas.
Além das medidas no Pantanal, Lula também assinou decreto para criar a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com área de cerca de 41 mil hectares. A nova unidade tem como objetivo preservar recursos hídricos e reduzir pressões ambientais sobre comunidades tradicionais na região do Cerrado mineiro.
Embora Campo Grande tenha sediado o anúncio e a abertura política da COP15, o fato de Mato Grosso do Sul não ter sido incluído nos decretos criou contraste entre o simbolismo da conferência e os efeitos concretos das medidas apresentadas. O evento internacional ocorre no Brasil entre 23 e 29 de março de 2026 e reúne governos, cientistas e organizações para discutir a proteção de espécies migratórias e de seus habitats.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a ampliação das áreas protegidas no Pantanal atende a uma demanda histórica da comunidade científica e de organizações ambientalistas, além de reforçar a posição do Brasil no debate global sobre biodiversidade. A leitura do governo é que os decretos demonstram, já na abertura da conferência, um compromisso prático com a conservação.
Com isso, a agenda ambiental apresentada por Lula em Campo Grande reforçou o protagonismo do país na COP15, mas deixou de fora justamente o estado anfitrião da conferência, apesar da relevância de Mato Grosso do Sul dentro do território pantaneiro brasileiro.
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