Artigo
A pesquisa e a bolha
09/03/2026
08:00
Rogério Alexandre Zanetti
©REPRODUÇÃO
Eleições 2002. Do alto da popularidade conquistada com os programas do denominado “Governo Popular”, Zeca do PT resolveu disputar a reeleição ao governo de Mato Grosso do Sul de dentro de seu gabinete. A campanha na rua acontecia quase sem a presença do mandatário que reivindicava a reeleição. Abertas as urnas, Zeca se surpreendeu com o que parecia não acreditar quando as pesquisas apontavam: a adversária do PSDB cresceu e levou a eleição ao segundo turno, quase como favorita para vencer. Bem, o resultado todos sabemos: Zeca tirou o paletó, fincou os pés na rua e venceu o pleito, ainda que por uma margem relativamente apertada.
Ocorre que as pesquisas indicavam que a popularidade do governador era altíssima e, na cabeça dele, isso garantiria sua reeleição. Mas governo é uma coisa, política é outra. Só para citar mais um exemplo, em 1998, o professor Cristovão Buarque perdeu a reeleição ao governo do Distrito Federal — também com índices elevadíssimos de aceitação — para o populista Joaquim Roriz, mesmo este ostentando uma extensa “ficha corrida”, uma “capivara” digna de um político que poderia ser aposentado pelo eleitor. Cristovão também acreditou que apenas seu currículo pessoal e o sucesso governamental lhe garantiriam a vitória.
A Pesquisa Ranking divulgada hoje conseguiu o feito que alcançam apenas aqueles que trazem números verdadeiros: desagradar a todos. Da lista de candidatos ao governo e ao senado, não há um que não jure ter números maiores do que a pesquisa mostra. Principalmente os que já ostentam o mandato. É fácil entender: quem está dentro da bolha tem grandes dificuldades de enxergar fora dela.
O caso mais emblemático é o do governador Eduardo Riedel. Com índices de popularidade de maioria absoluta, ele oscila na casa dos 40% das intenções de voto. Claro que acredita serem maiores. No entanto, o entorno do governador tem dificuldade de aceitar que seu governo tem fissuras razoáveis, como casos de corrupção não esclarecidos, particularmente no Detran; problemas crônicos na saúde; estradas mal conservadas e até o desmoronamento de uma ponte de concreto, entre outros. Para contrapor a isso, expõem números excelentes de geração de emprego e renda (sem levar em conta que se trata de um fenômeno nacional), a chegada de grandes empresas nacionais e internacionais ao Estado, e números empolgantes na agricultura e pecuária.
Resta ao time de Riedel, agora, saber digerir os números da Pesquisa Ranking, principalmente por ele ainda manter uma boa liderança sobre os demais postulantes ao cargo. É preciso entender que pesquisa reflete o momento e, neste momento, o povo de Mato Grosso do Sul parece dizer que, sim, o governo vai bem, mas precisa melhorar.
*Jornalista
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