Economia / Finanças Públicas
É Melhor Apertar os Cintos Antes da Eleição
Descompasso entre receitas e despesas acende alerta fiscal às vésperas de 2026
01/03/2026
08:00
Bosco Martins*
Bosco Martins*
Os números mais recentes acendem o sinal amarelo nas contas públicas. Dados do Banco Central mostram que os governos encerraram o ano com superávit de apenas 0,04% do PIB, o pior resultado desde 2014. Ao mesmo tempo, as despesas cresceram 5,7% acima da inflação, enquanto as receitas avançaram 3,4% em termos reais — um descompasso que evidencia perda de fôlego fiscal.
O ICMS, principal fonte de arrecadação dos estados, registrou alta de apenas 2,4% acima da inflação, refletindo o enfraquecimento da atividade econômica.
O Comsefaz já havia apontado a tendência de desaceleração das receitas e o aumento das pressões sobre despesas correntes, especialmente com pessoal, que consome quase metade dos gastos públicos. Embora os investimentos tenham crescido 11% acima da inflação, ainda representam menos de 10% do total das despesas.
A renegociação das dívidas com a União, por meio do Propag, reduziu os juros reais a zero e abriu espaço para maior gasto no curto prazo. O alívio foi relevante, sobretudo para estados altamente endividados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de 90% da dívida com a União.
No entanto, o incentivo a ampliar despesas sem enfrentar fragilidades estruturais pode comprometer o equilíbrio no médio e longo prazos.
Parte do caixa recente também foi impulsionada pelos rendimentos financeiros favorecidos pela Selic elevada, receita não recorrente e que não integra o resultado primário. Com a esperada queda dos juros, essa fonte tende a diminuir.
Às vésperas de 2026, em ambiente político polarizado e historicamente marcado por pressões por gasto, o cenário recomenda prudência. Com arrecadação desacelerando e incertezas internas e externas no radar, a palavra de ordem para estados e contribuintes é responsabilidade fiscal.
A polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro promete um ambiente político tenso em 2026, com potencial volatilidade econômica e novas pressões por expansão de despesas. A recomendação é clara: ajuste fiscal e organização das contas. Quem não arrumar a casa agora pode enfrentar consequências mais duras adiante.
Bosco Martins
Escritor e jornalista
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Marcos Pollon confirma pré-candidatura ao Senado após carta pública de Jair Bolsonaro
Leia Mais
Deputado Roberto Hashioka propõe mensagens educativas contra pedofilia em espaços públicos de MS
Leia Mais
Confira seu astral para este domingo, 1º
Leia Mais
Domingo terá calor intenso, baixa umidade e risco de tempestades isoladas em Mato Grosso do Sul
Municípios