Política Estadual
Com Riedel no páreo, apenas nove governadores poderão buscar novo mandato no país
21/02/2026
07:00
Bosco Martins*
Bosco Martins*
O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), está no seleto grupo de nove chefes de Executivo estadual que poderão disputar a reeleição em 2026. Em um universo de 27 governadores, a maioria está impedida de concorrer por já exercer o segundo mandato consecutivo. O cenário nacional, portanto, será marcado por forte renovação nos estados — mas, em MS, a tendência é de continuidade.
Riedel chega ao ciclo eleitoral após uma mudança partidária significativa. Em 2025, deixou o PSDB, legenda que, com sua saída, ficou sem governadores pela primeira vez desde a fundação. A filiação ao PP, partido da senadora Tereza Cristina, redesenhou o eixo político do governo sul-mato-grossense e ampliou sua inserção em um campo mais alinhado ao centro-direita nacional.
No plano local, o principal nome colocado no campo da oposição é Fábio Trad (PT), que deve polarizar o debate estadual. A disputa, contudo, tende a ser influenciada pelo ambiente nacional e pelas articulações presidenciais, já que os palanques estaduais estarão fortemente conectados ao xadrez de Brasília.
Pelas regras eleitorais, governadores que disputam a reeleição podem permanecer no cargo durante a campanha. Já aqueles que pretendem concorrer à Presidência da República ou ao Senado precisam renunciar até seis meses antes do pleito — em 2026, o prazo final será 4 de abril. Essa exigência deve provocar mudanças importantes em diversos estados, com vices assumindo governos no meio do caminho.
No Nordeste, cinco governadores estão aptos a buscar novo mandato, três deles filiados ao PT, o que reforça o peso regional do partido. No Sudeste, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, também sinaliza disputar a reeleição, apesar das pressões para ingressar na corrida presidencial.
Em contraste, nomes como Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (PSD) e Eduardo Leite (PSD) não poderão concorrer novamente ao governo e avaliam projetos nacionais ou vagas no Senado.
O resultado é um mapa político em transição, com estados estratégicos renovando lideranças enquanto outros apostam na continuidade administrativa. Em Mato Grosso do Sul, a presença de Riedel na disputa consolida o estado dentro do grupo que poderá testar, nas urnas, a força do incumbente.
Mais do que uma eleição local, 2026 será um pleito de múltiplas camadas: estadual, nacional e ideológica, com reflexos diretos na formação do Congresso e na governabilidade do próximo ciclo presidencial.
Bosco Martins é jornalista e escritor
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Nova regra da CNH altera limite de pontos e pode reduzir teto para 20 em caso de infrações gravíssimas
Leia Mais
Mamonas Assassinas terão restos mortais exumados após 30 anos
Leia Mais
Defesa de Bolsonaro solicita autorização para tratamento com Estímulo Elétrico Craniano
Leia Mais
Brasil e Índia assinam primeiro memorando bilateral sobre terras raras e minerais críticos
Municípios