Campo Grande (MS), Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2026

Saúde / Ciência

Jovem tetraplégico de MS apresenta movimentos após cirurgia experimental com polilaminina

Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, é um dos primeiros pacientes do país a receber proteína desenvolvida no Brasil; estudo clínico ainda avalia segurança do tratamento

20/02/2026

08:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O jovem Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, morador de Mato Grosso do Sul, voltou a apresentar movimentos voluntários após passar por procedimento experimental com a proteína polilaminina, fármaco brasileiro ainda em fase inicial de testes clínicos. Ele havia ficado tetraplégico após sofrer um tiro acidental no pescoço, em outubro de 2025, que provocou lesão medular grave e perda dos movimentos dos membros superiores e inferiores.

A cirurgia foi realizada no dia 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande, com duração aproximada de 40 minutos. Doze dias depois do procedimento, Luiz conseguiu realizar o primeiro movimento voluntário da mão sem auxílio externo — avanço considerado significativo dentro do quadro clínico.

O jovem é o primeiro paciente a receber o tratamento em Mato Grosso do Sul e integra o grupo de 23 brasileiros submetidos ao procedimento experimental até o momento.

Procedimento é guiado por imagem em tempo real

O médico responsável pela aplicação, Wolnei Marques Zeviani, explicou que a técnica consiste na introdução de uma agulha até o local da lesão medular, com auxílio de raios X em tempo real.

“Aplicamos 1 ml da proteína laminina diretamente na área lesionada. Após o procedimento, o paciente recebeu alta e iniciou acompanhamento com fisioterapia”, detalhou o especialista.

Segundo Zeviani, ainda não é possível prever se haverá recuperação total da mobilidade. O protocolo inclui fisioterapia intensiva e estímulos elétricos por período estimado de um ano e meio.

“Esperamos melhora significativa na qualidade de vida, mas estamos no início do tratamento. A evolução funcional completa só poderá ser avaliada ao longo do tempo”, afirmou.

Desenvolvimento científico brasileiro

A polilaminina foi desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, em parceria com cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após mais de 20 anos de estudos.

O fármaco é produzido a partir da proteína laminina, extraída da placenta humana. Em testes pré-clínicos com animais, apresentou capacidade de estimular reconexões neurais.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 5 de janeiro, o início do estudo clínico de fase 1, cujo objetivo principal é avaliar a segurança do tratamento. A pesquisa envolve cinco voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, que apresentem lesões agudas completas da medula torácica entre as vértebras T2 e T10.

Caso anterior indica potencial de recuperação

Um dos casos mais conhecidos é o de Bruno Drummond de Freitas, primeiro paciente do mundo a receber a aplicação da polilaminina. Ele sofreu grave acidente automobilístico em abril de 2018, com fraturas nas vértebras C6 e T8.

Menos de 24 horas após o trauma, foi submetido ao procedimento. Três semanas depois, apresentou o primeiro movimento voluntário: flexão do dedão do pé. Hoje, quase sete anos após o acidente, Bruno relata autonomia plena nas atividades diárias, com sequelas residuais mínimas.

O caso foi divulgado recentemente pela ex-ginasta Laís Souza, que compartilhou registros da evolução funcional do paciente nas redes sociais.

Campanha por reconhecimento internacional

Diante dos resultados iniciais, há mobilização online para que a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio seja indicada ao Prêmio Nobel de Medicina, em reconhecimento à descoberta considerada por apoiadores como uma das mais relevantes da ciência brasileira nas últimas décadas.

Apesar dos avanços relatados, especialistas ressaltam que o tratamento ainda está em fase experimental e depende da consolidação de dados clínicos para comprovação de eficácia e segurança em larga escala.

O caso de Luiz Otávio representa um marco regional na aplicação da tecnologia e reacende expectativas sobre novas alternativas terapêuticas para lesões medulares graves no Brasil.

 


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