Economia / Trabalho
Pesquisa aponta que 73% dos brasileiros apoiam fim da escala 6x1 sem redução salarial
Levantamento nacional indica que 84% defendem ao menos dois dias de descanso semanal e maioria rejeita diminuição de salário
12/02/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução de salário. O levantamento foi feito entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, nas 27 unidades da Federação, com 2.021 entrevistados acima de 16 anos.
O estudo revela ainda que 84% da população é favorável a que os trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana.
De forma geral, 63% dos entrevistados se disseram favoráveis ao fim da jornada 6x1. No entanto, quando questionados sobre a possibilidade de redução salarial, o apoio diminui significativamente.
30% afirmaram apoiar o fim da escala apenas se não houver redução no salário;
Com diminuição da remuneração, o apoio cai para 28%;
40% só apoiam a mudança se os salários forem mantidos;
5% ainda não têm opinião formada sobre a condicionante salarial.
Entre os 22% que inicialmente se declararam contrários ao fim da escala, metade afirmou que poderia mudar de posição caso não houvesse impacto no bolso.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou que 62% dos entrevistados sabem que o tema está em debate no governo federal e no Congresso Nacional, mas apenas 12% disseram conhecer bem a proposta.
Segundo ele, a pesquisa evidencia que a principal divergência está na possibilidade de redução salarial.
“Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou Tokarski, destacando que o impasse central envolve a negociação entre trabalhadores e empregadores sobre jornada e remuneração.
O levantamento também analisou o posicionamento conforme o voto no segundo turno das eleições de 2022.
Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 71% apoiam o fim da escala 6x1;
Entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% são favoráveis;
Em ambos os grupos, 15% não opinaram.
Para Tokarski, a maior adesão entre eleitores de Lula se relaciona ao fato de o tema ter sido defendido como bandeira política.
A proposta está em análise por meio da PEC 148/2015, que já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda precisa passar por:
Duas votações no plenário do Senado;
Duas votações na Câmara dos Deputados;
Aprovação mínima de 49 senadores e 308 deputados.
Se aprovada, a implementação será gradual:
Primeiro ano: manutenção das regras atuais;
Ano seguinte: aumento de um para dois dias de descanso semanal;
A partir de 2027: redução da jornada de 44 para 40 horas semanais;
Em 2031: teto final de 36 horas semanais.
A manutenção do salário durante a transição ainda deverá ser debatida pelo Congresso.
Quando questionados sobre a chance de aprovação da proposta:
52% acreditam que a PEC será aprovada;
35% acham que não;
13% não opinaram.
A pesquisa indica que, embora exista forte apoio popular à ampliação do descanso semanal, a viabilidade política dependerá da definição sobre o impacto salarial — ponto central das negociações no Legislativo.
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