Campo Grande (MS), Domingo, 07 de Junho de 2026

Política Estadual

Riedel afirma que contenção de gastos seguirá em 2026 até haver clareza do cenário fiscal

Governador defende austeridade como diretriz inegociável, destaca equilíbrio das contas e apresenta balanço econômico e social na abertura do ano legislativo

03/02/2026

12:15

DA REDAÇÃO

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O governador Eduardo Riedel afirmou, nesta terça-feira (3), que a política de contenção de gastos adotada pelo Governo de Mato Grosso do Sul continuará ao longo de 2026, até que haja maior clareza sobre o cenário fiscal nacional e estadual. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Segundo Riedel, a austeridade fiscal é uma premissa inegociável da atual gestão e fundamental para preservar a capacidade de investimento do Estado e o equilíbrio das contas públicas, em meio às incertezas econômicas e à queda de receitas específicas.

“A responsabilidade fiscal é premissa do governo. O que ocorreu no ano passado, de contenção de gastos, vai continuar ocorrendo este ano até que a gente tenha clareza desse momento fiscal”, afirmou o governador.

Queda de receitas e equilíbrio fiscal

Mesmo diante da perda de mais de R$ 1 bilhão em arrecadação, provocada principalmente pela redução da importação de gás boliviano, Mato Grosso do Sul encerrou o último exercício com classificação CAPAG-B, indicador que atesta a capacidade de pagamento do Estado.

Para mitigar os impactos, o governo articulou a transferência de empresas do setor de gás para o território sul-mato-grossense e contou com o apoio da Assembleia Legislativa para autorizar operações de crédito voltadas exclusivamente a investimentos.

“A gente não pode perder a capacidade de investimento nem a qualidade da política pública. A Assembleia foi determinante ao autorizar empréstimos para investimento, permitindo que a gente mantenha controle rígido sobre o custeio”, explicou Riedel.

Defesa da redução dos juros

Ao comentar o cenário macroeconômico nacional, o governador defendeu a redução da taxa Selic, classificando o atual patamar de juros como um entrave ao crescimento do setor produtivo.

“Para o Brasil reagir mais forte, e Mato Grosso do Sul está dentro desse contexto, é preciso diminuir juros. Juros altos travam o crescimento real e favorecem apenas o capital especulativo”, pontuou.

Balanço de governo e pacificação política

Durante discurso de quase 30 minutos no plenário Júlio Maia, Riedel apresentou um balanço dos três primeiros anos de mandato, marcado, segundo ele, pela pacificação política e pelo pragmatismo administrativo.

O governador agradeceu à bancada federal, ao Judiciário e destacou a relação institucional com o Lula, ressaltando que diferenças ideológicas não impediram parcerias em projetos estruturantes.

“Mesmo sendo o presidente Lula de um campo político diferente, soubemos superar divergências para construir uma relação respeitosa e republicana, sempre em prol do interesse público e das necessidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Indicadores econômicos e sociais

Riedel destacou que o Estado registra pleno emprego, com taxa de desocupação de 2,9%, a menor da história, e a oitava maior renda média do país, em R$ 3.469. Nos últimos dois anos, Mato Grosso do Sul atraiu cerca de R$ 80 bilhões em investimentos privados.

Outros indicadores apresentados incluem:

  • Redução da pobreza extrema para 1,6%, com meta de erradicação até o fim do mandato;

  • Menor alíquota modal de ICMS do país e redução de 10% da carga tributária geral;

  • Maior salário do Brasil para professores concursados e expansão do ensino integral para 62% da rede estadual;

  • Queda do abandono escolar para 0,09%.

Saúde, saneamento e infraestrutura

Na saúde, o governador reforçou a estratégia de regionalização, destacando a ampliação de um para quatro hospitais regionais e a implantação da regulação unificada entre Estado e municípios como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

No saneamento, Mato Grosso do Sul atingiu 75% de cobertura, com meta de universalização até 2028, o que pode tornar o Estado o primeiro do país a alcançar o índice.

Já na infraestrutura, Riedel projetou até o fim de 2026:

  • 855 km de rodovias pavimentadas;

  • 599 km restaurados;

  • R$ 4 bilhões em investimentos diretos.

Ele também citou como estratégicos a Rota da Celulose, com R$ 10 bilhões em investimentos já contratados, a Rota Bioceânica e o futuro leilão da ferrovia Malha Oeste.

Apoio aos municípios

Ao encerrar, o governador destacou o apoio direto às prefeituras, citando a absorção, pelo Estado, de 8,2 mil alunos da rede básica que estavam sob responsabilidade municipal, permitindo que os municípios redirecionem recursos para creches e educação infantil.

Segundo Riedel, a combinação de responsabilidade fiscal, investimentos estruturantes e diálogo institucional será mantida em 2026, mesmo em ano eleitoral, como forma de garantir estabilidade e crescimento sustentável para Mato Grosso do Sul.


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