Política Internacional
Trump convida Lula, Milei e outros líderes para conselho que governará Gaza
Órgão será presidido pelo presidente dos EUA e integrará a segunda fase do plano de paz para a região; Brasil ainda não respondeu ao convite
18/01/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza. A informação foi publicada pelo ICL Notícias e confirmada à Folha por integrantes do Itamaraty.
Segundo apuração, o governo Trump enviou a proposta na sexta-feira (16) à embaixada do Brasil em Washington. Até a noite deste sábado (17), não havia posicionamento oficial de Lula sobre o convite.
Além do Brasil, Trump convidou outros chefes de Estado, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, o presidente do Egito, Abdel Fatah Al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Aliado próximo de Trump na América Latina, Javier Milei publicou uma foto do convite em sua conta no X e afirmou que é “uma honra” para a Argentina integrar, como membro fundador, o Conselho da Paz. Em declaração pública, disse que o país “sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo e defendem a vida, a propriedade, a paz e a liberdade”.
Na Turquia, o governo informou sobre o convite por meio do porta-voz Burhanettin Duran, mas Recep Tayyip Erdogan ainda não se pronunciou. Já Santiago Peña declarou que assumirá a responsabilidade “com honra”. O Egito confirmou o convite por meio de sua chancelaria, enquanto fontes do alto escalão do Canadá indicaram que Mark Carney pretende aceitar.
Em sentido oposto, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa contraria a política adotada por Israel. Segundo o comunicado, o ministro das Relações Exteriores israelense levará o tema ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
O Conselho da Paz será presidido por Donald Trump e integra a segunda fase do plano de paz dos EUA para a região. Os detalhes operacionais ainda não estão totalmente definidos. De acordo com a Bloomberg, o governo americano pretende exigir pagamento mínimo de US$ 1 bilhão dos países com assento permanente.
As decisões deverão ser tomadas por maioria simples, com um voto por Estado-membro, mas todas dependerão da aprovação final do presidente dos EUA.
Na sexta-feira, Trump anunciou os primeiros integrantes do grupo: Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner; o empresário Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e o assessor Robert Gabriel.
O conselho ficará acima do Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, que governará a reconstrução do território após dois anos de bombardeios israelenses.
A criação do conselho cumpre promessa feita por Trump em fevereiro de 2025, quando afirmou que os EUA assumiriam o governo de Gaza — declaração da qual o governo recuou posteriormente. Agora, o plano prevê controle administrativo e militar americano sobre o território.
A iniciativa foi apresentada em setembro de 2025, aceita por Israel e pelo Hamas e aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro. O plano inclui o envio de força militar de estabilização com exércitos de países árabes e o desarmamento do Hamas, ponto mais sensível do acordo.
O Hamas afirma que só entregará as armas após a criação de um Estado palestino. A terceira fase do plano prevê esse reconhecimento, hipótese rejeitada por Netanyahu, que declarou que nunca permitirá tal desfecho.
Lula tem feito críticas recorrentes à atuação de Israel em Gaza, afirmando que há genocídio contra os palestinos, o que gerou crise diplomática com Tel Aviv. Já Milei, presente neste sábado em Assunção para a assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, voltou a elogiar Trump e a defender ações dos EUA na Venezuela, citando a prisão de Nicolás Maduro como exemplo ao discursar no evento.
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