Campo Grande (MS), Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Saúde / Bem-Estar

Calor extremo sobrecarrega o coração e eleva risco de infarto e AVC no Brasil

Altas temperaturas afetam a pressão arterial, aumentam a frequência cardíaca e exigem atenção redobrada de idosos e pacientes crônicos

10/01/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O avanço das ondas de calor no Brasil tem ampliado um alerta importante para a saúde pública: o impacto direto das altas temperaturas sobre o sistema cardiovascular. Em dias muito quentes, o organismo entra em modo de compensação térmica, forçando o coração a trabalhar mais para manter o equilíbrio da temperatura corporal, o que pode elevar o risco de mal-estar, arritmias, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) — especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

Segundo especialistas, o corpo humano reage ao calor promovendo uma dilatação dos vasos sanguíneos, o que reduz a pressão arterial e exige uma resposta acelerada do coração para manter a circulação adequada.

Como o calor afeta o coração

Quando a temperatura sobe, o organismo ativa a vasodilatação periférica, principalmente na pele, para dissipar o calor. Esse processo diminui a resistência dos vasos e provoca queda da pressão arterial.

“O organismo tenta compensar essa queda acelerando os batimentos cardíacos para manter o fluxo adequado de sangue”, explica o cardiologista Fernando Ribas, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Em pessoas saudáveis, o sistema de compensação costuma funcionar. Porém, em indivíduos com doenças cardiovasculares, esse mecanismo pode falhar, levando a tontura, fraqueza, escurecimento da visão e sensação de desmaio.

Desidratação agrava o risco

O suor é fundamental para resfriar o corpo, mas também elimina água e eletrólitos essenciais, como sódio e potássio.

“A desidratação reduz o volume sanguíneo, acelera o coração para compensar e prejudica a perfusão dos órgãos”, explica Bruno Sthefan, cardiologista e médico do esporte, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

A perda desses minerais também compromete o sistema elétrico do coração, aumentando o risco de arritmias, sobretudo em pessoas com doenças cardíacas pré-existentes.

Calor extremo pode desencadear infarto e AVC

Embora o frio seja mais associado a infartos, ondas prolongadas de calor também aumentam o risco cardiovascular, segundo estudos recentes.

“O calor impõe um estresse adicional ao sistema cardiovascular. A desidratação, a queda de pressão e o desequilíbrio de eletrólitos criam um cenário propício para infartos e AVCs”, afirma o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema.

Quem deve redobrar os cuidados

Os especialistas alertam que alguns grupos são especialmente vulneráveis ao calor:

  • Idosos, que sentem menos sede

  • Pessoas com hipertensão, diabetes ou insuficiência cardíaca

  • Quem já teve infarto ou AVC

  • Atletas e trabalhadores expostos ao sol

Pacientes que usam diuréticos e anti-hipertensivos também correm mais risco.

“Esses medicamentos favorecem a perda de líquidos e podem potencializar quedas de pressão”, alerta Fernando Ribas.

⚠️ A orientação médica é clara: não suspender nem ajustar medicamentos sem orientação profissional.

Sinais de alerta no calor

Procure atendimento médico imediato se houver:

  • Desmaio

  • Dor no peito

  • Palpitações persistentes

  • Falta de ar fora do habitual

  • Confusão mental, especialmente em idosos

Exercício físico em dias quentes

No calor, o coração precisa irrigar músculos e pele simultaneamente, elevando o esforço cardíaco.

“Isso aumenta o risco de exaustão térmica e arritmias”, explica Orlando Maia.

Como se proteger do calor

Especialistas recomendam:

  • Beber água regularmente ao longo do dia

  • Repor eletrólitos quando o suor for intenso

  • Evitar álcool e excesso de cafeína

  • Usar roupas leves e claras

  • Fazer pausas frequentes

  • Buscar ambientes ventilados ou climatizados

  • Evitar o sol forte entre 10h e 16h


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