Campo Grande (MS), Sábado, 10 de Janeiro de 2026

Economia Internacional

União Europeia aprova acordo histórico de livre-comércio com o Mercosul após superar resistência interna

Decisão abre caminho para assinatura do tratado e cria mercado integrado de mais de 720 milhões de consumidores

09/01/2026

12:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A União Europeia (UE) decidiu avançar com o acordo de livre-comércio com o Mercosul após obter uma maioria qualificada entre os seus 27 Estados-membros, encerrando um impasse político que se arrastava há semanas em Bruxelas. A informação foi divulgada pela AFP e abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje nos próximos dias ao Paraguai, atual presidente rotativo do bloco sul-americano, para formalizar a assinatura do tratado.

A decisão representa uma vitória para a Comissão Europeia, que vinha enfrentando forte resistência de países como França e Itália, críticos do impacto do acordo sobre o setor agrícola europeu. Protestos de agricultores, com bloqueios de estradas e manifestações em vários países do bloco, também pressionaram as negociações.

Para destravar o processo, a Comissão Europeia apresentou um pacote de compensações ao campo, incluindo o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios agrícolas, dentro do próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). O setor deve receber, ao todo, 293,7 bilhões de euros, medida que foi decisiva para que a Itália retirasse sua oposição.

Com a mudança de posição italiana, os embaixadores dos 27 países da UE avaliaram que não existe mais uma minoria de bloqueio, mesmo com a continuidade das críticas do governo francês, permitindo que o acordo siga para a fase de assinatura.

Negociado ao longo de 26 anos, o tratado é considerado um dos mais ambiciosos já firmados pela União Europeia. Ele cria uma ampla zona de livre-comércio entre a UE e os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — formando um mercado potencial de mais de 720 milhões de consumidores.

Juntas, as economias envolvidas somam cerca de US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB), o que confere ao acordo grande relevância estratégica no comércio global, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas e busca por novos parceiros comerciais.

A expectativa é que a assinatura do tratado marque uma nova etapa nas relações econômicas entre Europa e América do Sul, ampliando exportações, investimentos e integração produtiva. Ainda assim, o acordo deve continuar enfrentando debates políticos e pressões internas dentro dos países europeus antes de sua implementação definitiva.


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