Política / Justiça
Vence prazo de afastamento de desembargadores suspeitos de vender sentenças no TJMS
Defesa aguarda decisão do STF antes de avaliar retorno às funções; Operação Ultima Ratio investiga venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro
09/08/2025
09:45
DA REDAÇÃO
Desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul afastados. — Foto: Reprodução
Venceu na quinta-feira (7) o prazo de 180 dias do segundo afastamento imposto a quatro desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), ao conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) e ao sobrinho dele. Todos são investigados na Operação Ultima Ratio, que apura suspeitas de venda de sentenças e outros crimes no Judiciário sul-mato-grossense.
A medida atingia os magistrados Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Sideni Soncini Pimentel e Vladimir Abreu da Silva, além do conselheiro Osmar Jeronymo e seu sobrinho, Danillo Moya Jeronymo, servidor do TJMS. Durante o período, eles estavam proibidos de acessar as dependências da Corte, utilizar o sistema interno e manter contato com servidores.
Apesar do fim do prazo, o advogado de Osmar Jeronymo, Carlos Marques, afirmou que os investigados não irão retornar imediatamente às funções.
“Iremos aguardar até segunda-feira ou terça-feira para reavaliar a situação. Deve sair uma decisão abrangendo todos os envolvidos. Optamos por não retornar agora, pois entendemos que o prejuízo pode ser maior”, disse.
O caso está sob análise do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem entrou em contato com o STF e com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2024, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a operação é resultado de três anos de investigação e apura crimes como:
Venda de sentenças judiciais
Corrupção
Lavagem de dinheiro
Extorsão
Falsificação
Durante as buscas, foram apreendidas armas nas residências de dois magistrados e mais de R$ 3 milhões em espécie, sendo R$ 2,7 milhões encontrados na casa de um dos investigados.
O nome “Ultima Ratio” faz referência a um princípio jurídico segundo o qual a atuação do Judiciário deve ser o último recurso do Estado para conter a criminalidade.

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