Cultura / Memorial
Campanha pela mudança de local da estátua de Manoel de Barros ganha força em Campo Grande
Monumento instalado em 2017 na Avenida Afonso Pena é criticado por isolamento e falta de estrutura adequada; mobilização propõe novo espaço que valorize o legado do poeta
29/07/2025
12:30
DA REDAÇÃO
©Nilson Figueiredo
Uma mobilização espontânea nas redes sociais está reacendendo o debate sobre a localização da estátua em homenagem ao poeta Manoel de Barros, instalada em 2017 no canteiro central da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. A escultura, de tamanho real, foi criada pelo artista campo-grandense Ique Woitschach em celebração aos 101 anos de nascimento do poeta, considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira.
Para o jornalista Rogério Alexandre Zanetti, idealizador da campanha, o local atual não faz jus à trajetória e à sensibilidade de Manoel.
“A estátua está isolada, num canteiro de via rápida, sem sinalização, mal iluminado e de difícil acesso. O argumento de aproximação da periferia não se sustenta mais”, afirma Zanetti.
Ele propõe a transferência do monumento para locais mais acessíveis e simbolicamente relevantes, como:
Esquina das ruas 15 de Novembro e 14 de Julho, próxima à casa onde Manoel morou;
O novo Calçadão da 14;
Parque das Nações Indígenas;
Avenida do Poeta, no Parque dos Poderes;
Ou ainda a lateral da Morada dos Baís, caso passe por revitalização.
“O Manoel era o poeta do silêncio, da contemplação. Merece um espaço arborizado, com bancos, placas explicativas, onde sua poesia possa ser lida e sentida”, acrescenta Zanetti.
A escritora e amiga pessoal de Manoel, Sylvia Cesco, apoia a mudança.
“Há dois anos entreguei um documento aos curadores da Casa Quintal, defendendo a transferência da estátua. Manoel não combina com buzinas e pressa. Ele dizia que a única bandeira de um poeta é a arte”.
Ela defende que o monumento seja levado para a Avenida do Poeta ou para “qualquer espaço com árvores e flores”, evocando o verso do poeta:
“Senhor, dai-me uma casa com janelas de aurora e árvores no quintal, que na primavera fiquem cobertas de flores…”
O escritor André Luiz Alvez também defende o deslocamento e recorda que a família de Manoel inicialmente foi contra a instalação da estátua, sendo convencida pelo artista Ique de que o local teria estudantes e sombra.
“Mas isso não se concretizou. O trânsito ali é perigoso, houve até roubo de parte da escultura. Precisamos discutir com a família, o artista e representantes da cultura”.
A escultura, que pesa cerca de 400 quilos, foi alvo de vandalismo em 2021 e restaurada em 2024 com recursos da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), no valor de R$ 75,6 mil, com instalação de piso novo, câmeras de segurança e iluminação.
Apesar da restauração, o debate sobre sua localização segue ganhando força popular. A mobilização liderada por Zanetti ainda não foi formalizada junto ao poder público, mas já mobiliza artistas, leitores e admiradores da obra de Manoel.
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