Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Justiça

Defesa de Alcides Bernal pede liberdade e contesta prisão em flagrante após morte de fiscal

Advogados alegam que ex-prefeito se apresentou à polícia depois do crime; Justiça já marcou audiências para ouvir testemunhas e o réu

15/05/2026

12:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal apresentou um novo pedido de habeas corpus à Justiça para tentar obter o relaxamento da prisão. O argumento central dos advogados é que Bernal teria se apresentado espontaneamente à polícia após a morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, ocorrida em 24 de março de 2026, na Capital.

No pedido, a defesa sustenta que o ex-prefeito não deveria ter sido preso em flagrante, já que procurou a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande após o crime e se colocou à disposição das autoridades. Para os advogados, a prisão em flagrante teria como finalidade impedir fuga e preservar provas, circunstâncias que, segundo a defesa, não se aplicariam ao caso.

O pedido é assinado pelo advogado Ricardo Machado, que também retoma teses já apresentadas anteriormente e rejeitadas pela Justiça. Entre elas, está a alegação de que Bernal teria agido em legítima defesa ao tentar proteger o imóvel onde o crime ocorreu.

Essa tese, no entanto, já foi contestada judicialmente. A Justiça apontou que a residência não pertencia mais ao ex-prefeito, pois havia sido levada a leilão pela Caixa Econômica Federal e posteriormente adquirida por Roberto Mazzini.

Além do relaxamento da prisão, a defesa pede, de forma alternativa, a revogação da prisão preventiva. Caso a solicitação não seja aceita, os advogados requerem a substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo prisão domiciliar humanitária, com base na idade e no estado de saúde do réu.

Justiça marca audiências para maio

O processo tramita na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sob responsabilidade do juiz Carlos Alberto Garcete. O magistrado marcou as primeiras audiências para ouvir testemunhas e o próprio Alcides Bernal.

A denúncia foi recebida pela Justiça em 15 de abril. Bernal responde por homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio.

A audiência para ouvir testemunhas da acusação está marcada para 26 de maio. No dia seguinte, devem ser ouvidos o réu e as testemunhas indicadas pela defesa.

Ministério Público denunciou ex-prefeito por homicídio qualificado

A denúncia contra Alcides Bernal foi apresentada pela 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande. Os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia acusam o ex-prefeito de ter matado Roberto Carlos Mazzini, de 60 anos, após uma disputa relacionada ao imóvel localizado no Jardim dos Estados.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Mazzini havia adquirido a casa em leilão da Caixa Econômica Federal e foi ao local para tomar posse do imóvel. Para a promotoria, Bernal não aceitava a perda da propriedade e teria agido motivado por vingança.

Na denúncia inicial, o MP apontou qualificadoras como motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e o fato de a vítima ter mais de 60 anos. Posteriormente, a promotoria complementou a acusação e pediu a inclusão da qualificadora de meio cruel, além do crime de violação de domicílio.

Crime ocorreu em março, no Jardim dos Estados

O crime ocorreu na tarde de 24 de março de 2026, em uma casa que pertenceu a Alcides Bernal, mas havia sido arrematada em leilão por Roberto Mazzini no ano anterior. O fiscal foi ao imóvel acompanhado de um chaveiro para tomar posse da residência.

Após o ocorrido, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas Mazzini não resistiu. Em seguida, Bernal se apresentou na Depac Centro. O chaveiro que acompanhava a vítima foi levado ao Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada) para prestar depoimento.

O ex-prefeito permanece preso desde a data do crime. A defesa afirma que pretende demonstrar a legalidade da conduta de Bernal no decorrer do processo. Já o MPMS sustenta que há elementos para levar o caso ao Tribunal do Júri.


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