Campo Grande (MS), Domingo, 19 de Abril de 2026

Política / Eleições 2026

Lula amplia agenda voltada às mulheres em meio ao desgaste no eleitorado feminino

Presidente intensifica eventos, leis e discursos sobre proteção e direitos das mulheres enquanto tenta conter a perda de apoio nesse segmento

19/04/2026

07:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reforçado, nos primeiros meses deste ano, uma sequência de ações voltadas ao público feminino, num movimento político que busca reduzir o desgaste registrado entre as mulheres nas pesquisas eleitorais. A estratégia inclui participação em seminários, cerimônias oficiais, anúncios de medidas governamentais e maior presença do tema nos discursos do presidente, quase sempre ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares apontam que Janja teve influência direta no aumento do espaço dedicado ao tema na agenda presidencial. Um dos episódios mais citados foi a articulação em torno do Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os Três Poderes após a repercussão nacional de casos de violência contra a mulher. A pauta também passou a aparecer de forma recorrente nas falas públicas de Lula.

O movimento ocorre num momento em que o presidente vê diminuir sua vantagem entre as eleitoras. Segundo levantamento citado no texto-base, em março, num cenário de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula tinha 50% do apoio feminino, contra 37% do adversário. Em abril, a diferença caiu para um empate técnico, com 47% para o petista e 43% para o senador, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.

Ao mesmo tempo, o esforço do governo convive com declarações anteriores do próprio presidente que geraram forte repercussão negativa. O texto menciona episódios em que Lula chamou a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, de “mulherzinha” e afirmou ter escolhido uma “mulher bonita” ao se referir à então ministra Gleisi Hoffmann, em comentário sobre a relação política com o Congresso. Esses episódios alimentaram críticas sobre contradições entre discurso institucional e postura pública.

Desde o segundo semestre do ano passado, o governo passou a reunir uma série de medidas com impacto direto ou indireto sobre a vida das mulheres. Entre elas, estão a sanção de leis relacionadas ao combate à violência de gênero, incluindo regras para uso imediato de tornozeleira eletrônica em agressores e a tipificação do vicaricídio, quando filhos ou parentes são assassinados como forma de violência doméstica. Também houve decreto para aprimorar o funcionamento do Ligue 180 e a criação do Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio, em 17 de outubro.

Neste mês, o presidente ainda sancionou a regulamentação da profissão de doula, e o governo promoveu seminário interno sobre feminicídio para servidores da Presidência. A agenda incluiu também iniciativas na área esportiva, como o envio ao Congresso de projeto relacionado à Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027, prevista para o Brasil.

Apesar da ênfase dada ao tema, a composição ministerial segue sendo alvo de cobrança. O texto destaca que o ministério de Lula continua majoritariamente masculino e que, após mudanças ligadas ao cenário eleitoral, a presença de mulheres caiu de 10 para 8 ministras entre as 38 pastas. Além disso, setores da sociedade também cobraram do presidente a indicação de uma mulher ao Supremo Tribunal Federal, mas as duas escolhas feitas por ele para a Corte foram masculinas.


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