Campo Grande (MS), Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026

Política / Mobilização

Convocação de ato em 1º de março amplia fissuras no bolsonarismo e expõe embate entre Nikolas e aliados de Bolsonaro

Divergências envolvem prioridade entre impeachment de ministros do STF e pauta da anistia aos presos do 8 de janeiro, além da defesa da liberdade de Jair Bolsonaro

17/02/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A convocação de um protesto nacional marcado para 1º de março aprofundou divergências internas no campo bolsonarista. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou o ato sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, incluindo o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli entre as principais pautas.

No entanto, uma ala do grupo ligada diretamente à família Bolsonaro avalia que o foco estratégico deveria ser outro: a anistia aos manifestantes do 8 de janeiro e a defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Prioridades em disputa

Aliados mais próximos do clã Bolsonaro defendem que a centralidade do movimento deve estar na aprovação da anistia e na derrubada do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, considerado pelo grupo instrumento jurídico relevante para rever condenações.

Entre os que passaram a reforçar essa linha estão o deputado federal Mário Frias (PL), os deputados estaduais Gil Diniz (PL) e Lucas Bove (PL), além do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL).

Segundo interlocutores, o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato à Presidência, teria sido aconselhado a evitar a pauta do impeachment de Toffoli neste momento.

Cálculo político

Parte do grupo avalia que a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF, a menos de um ano das eleições, poderia beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teria prerrogativa de indicar substituto em caso de vacância.

Nesse cenário, aliados temem que o presidente pudesse indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSD), nome defendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), alterando o equilíbrio político na Corte.

Ainda segundo essa avaliação, setores da direita não alinhados diretamente ao bolsonarismo — como o MBL — estariam explorando a pauta do impeachment para ganhar visibilidade.

Embate público nas redes

No último domingo (15), Nikolas reagiu às críticas. Em publicação, questionou a coerência de aliados que defendem impeachment de Alexandre de Moraes há anos, mas consideram inadequado pedir o afastamento de Toffoli agora.

“Se impeachment de ministros não é válido agora, por que estão há 3 anos pedindo o do Moraes?”, escreveu o parlamentar.

Em resposta, Gil Diniz afirmou que a prioridade deve ser a “anistia geral e irrestrita” e acusou adversários internos de buscarem protagonismo político.

Nikolas reforçou que a manifestação deve incluir simultaneamente o pedido de impeachment de ministros e a defesa da anistia. Segundo aliados do deputado, as pautas não seriam excludentes, mas complementares.

Tensão dentro da família Bolsonaro

A divergência também reflete fissuras na própria família Bolsonaro. Enquanto Eduardo Bolsonaro (PL) já fez críticas públicas a Nikolas no passado, Michelle Bolsonaro (PL) tem demonstrado apoio ao deputado.

Após caminhada organizada por Nikolas entre Paracatu (MG) e Brasília (DF), Michelle publicou mensagem de apoio, referindo-se ao parlamentar como “06”, em alusão simbólica à família Bolsonaro.

Apesar das tensões, houve sinais recentes de distensão durante mobilizações em defesa dos presos do 8 de janeiro.

Cenário eleitoral

A disputa interna ocorre em meio a especulações sobre o papel de Nikolas nas eleições de 2026. Segundo relatos, Flávio Bolsonaro teria cogitado apoiá-lo para o Governo de Minas Gerais em aliança com setores do centrão, hipótese descartada pelo deputado, que afirma buscar a reeleição.

Nos bastidores, lideranças bolsonaristas pressionam Nikolas a se engajar mais diretamente na pré-campanha de Flávio. O parlamentar declarou publicamente que o senador é o candidato escolhido por Bolsonaro e que contará com seu apoio.

A mobilização de 1º de março, portanto, ultrapassa o ato em si e se consolida como termômetro da reorganização estratégica do bolsonarismo diante do calendário eleitoral e das disputas internas por protagonismo.


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