Política / Eleições 2026
Eleições 2026 terão renovação recorde: 18 governadores ficam impedidos de disputar novo mandato
Limite constitucional de dois mandatos consecutivos obriga maioria dos chefes estaduais a redefinir planos; quatro miram Presidência e ao menos seis articulam candidatura ao Senado
08/02/2026
09:00
DA REDAÇÃO
As eleições estaduais de 2026 devem registrar um dos maiores índices de renovação dos últimos anos. Dos 27 governadores brasileiros, 18 não poderão disputar a reeleição, em razão da regra constitucional que permite apenas dois mandatos consecutivos para cargos do Executivo.
A limitação impõe a esses líderes a necessidade de redefinir estratégias políticas. Até o momento, quatro governadores já manifestaram intenção de disputar a Presidência da República, enquanto ao menos seis articulam candidaturas ao Senado, que renovará 54 das 81 cadeiras neste pleito.
As candidaturas só poderão ser oficializadas durante as convenções partidárias, previstas entre julho e agosto, com registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto.
Governadores que pretendem disputar outro cargo eletivo precisam cumprir a regra da desincompatibilização, renunciando ao mandato até abril de 2026, seis meses antes do primeiro turno. A medida busca evitar uso da máquina pública para vantagem eleitoral.
Quando há renúncia, o vice assume o governo e pode, inclusive, disputar a eleição. O Rio de Janeiro apresenta situação particular: o governador Cláudio Castro (PL) sinalizou interesse no Senado, mas o estado está sem vice desde que Thiago Pampolha assumiu vaga no Tribunal de Contas em 2025. Caso Castro deixe o cargo, a Assembleia Legislativa deverá realizar eleição indireta para escolher um governador interino até dezembro.
No panorama geral:
9 governadores podem disputar reeleição
4 são pré-candidatos à Presidência
Ao menos 6 miram o Senado
5 têm futuro político indefinido
3 indicaram que devem concluir o mandato sem disputar cargos
Poderão concorrer a novo mandato:
Clécio Luís (Solidariedade-AP)
Jerônimo Rodrigues (PT-BA)
Elmano de Freitas (PT-CE)
Eduardo Riedel (PP-MS)
Raquel Lyra (PSD-PE)
Rafael Fonteles (PT-PI)
Jorginho Mello (PL-SC)
Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP)
Fábio Mitidieri (PSD-SE)
Quatro governadores manifestaram intenção de disputar o Palácio do Planalto:
Eduardo Leite (PSD-RS)
Ratinho Júnior (PSD-PR)
Ronaldo Caiado (GO)
Romeu Zema (Novo-MG)
O PSD, partido presidido por Gilberto Kassab, concentra três desses nomes e deverá definir estratégia até abril.
Já Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) mantém discurso de reeleição ao governo paulista, embora pesquisas indiquem potencial competitivo em eventual disputa presidencial. O governador declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pelo menos seis chefes estaduais indicaram intenção de disputar vaga na Câmara Alta:
Antonio Denarium (PP-RR)
Cláudio Castro (PL-RJ)
Ibaneis Rocha (MDB-DF)
Helder Barbalho (MDB-PA)
João Azevedo (PSB-PB)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Especialistas apontam que a popularidade dos governadores será fator decisivo na transferência de votos a sucessores. O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, da ESPM e da Fespsp, observa que governadores com altos índices de aprovação tendem a influenciar diretamente o resultado eleitoral.
Segundo ele, estados como Goiás, onde Ronaldo Caiado registra índices próximos de 80% de aprovação, apresentam maior probabilidade de transferência eleitoral ao candidato apoiado pelo mandatário.
A Constituição permite apenas uma reeleição consecutiva para prefeitos, governadores e presidente da República. Após dois mandatos seguidos, o ocupante do cargo deve aguardar pelo menos um período completo (quatro anos) para concorrer novamente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é exemplo desse dispositivo: governou entre 2003 e 2010, retornou após intervalo e iniciou novo mandato em 2023, podendo disputar novamente em 2026.
A elevada taxa de impedimento à reeleição deve alterar significativamente o mapa político estadual, intensificando disputas por sucessão e ampliando o peso das alianças regionais no cenário nacional.
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