Policial / Justiça
Turista argentina tem prisão revogada após acusação de injúria racial em Ipanema
Decisão foi tomada pela 37ª Vara Criminal do Rio; investigada já utilizava tornozeleira eletrônica e estava com passaporte retido
06/02/2026
19:15
DA REDAÇÃO
Agostina Páez, investigada por ofensas racistas ao sair de bar no Rio de Janeiro
A Justiça do Rio de Janeiro revogou, no fim da tarde de sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a prisão preventiva da advogada e influenciadora argentina Agostina Paez, acusada de praticar injúria racial contra quatro funcionários de um bar em Ipanema, na zona sul da capital fluminense. A investigada foi liberada ainda na noite de sexta, após deixar a delegacia.
Ela havia sido presa pela manhã em cumprimento a mandado expedido pela 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. A turista foi localizada em um imóvel alugado no bairro Vargem Pequena, na zona oeste da cidade.
Como o processo tramita em segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça informou apenas que a ordem de prisão preventiva foi revogada pelo juízo de primeira instância, sem detalhar os fundamentos da decisão.
O episódio ocorreu em 14 de janeiro, quando uma das vítimas procurou a delegacia para relatar ofensas de cunho racial durante discussão envolvendo o pagamento da conta do estabelecimento.
Segundo a denúncia, a investigada teria apontado o dedo para o trabalhador, utilizado a palavra “mono” — que significa macaco em espanhol — além de imitar gestos e sons associados ao animal. As imagens teriam sido registradas pela própria vítima e confirmadas por câmeras de segurança do local.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que colheu depoimentos de testemunhas e reuniu elementos probatórios considerados suficientes para esclarecer a dinâmica dos fatos.

Antes da decretação da prisão preventiva, a Justiça já havia determinado medidas cautelares contra a acusada, a pedido do Ministério Público. Entre elas estavam:
Proibição de deixar o país
Retenção do passaporte
Uso de tornozeleira eletrônica
Na quinta-feira, 5 de fevereiro, a influenciadora publicou vídeo nas redes sociais afirmando ter sido notificada da prisão por suposto risco de fuga. Ela declarou estar “desesperada” e disse que permanecia à disposição das autoridades.
Na ação judicial consta que a defesa sustenta que os gestos teriam sido “brincadeiras” dirigidas às amigas, versão contestada pelas vítimas.
O crime de injúria racial, previsto no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, possui pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Desde alterações legislativas recentes, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo, tornando-se imprescritível e inafiançável.
O processo seguirá em tramitação na Justiça fluminense, sob acompanhamento do Ministério Público e da defesa da acusada.
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