Campo Grande (MS), Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026

Política / Justiça

Novo laudo aponta agravamento do quadro mental de Adélio Bispo e recomenda internação em hospital psiquiátrico

Perícia enviada à Justiça de Campo Grande indica esquizofrenia paranoide, delírios constantes e risco contínuo de periculosidade

27/01/2026

07:45

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

Um novo laudo médico-pericial sobre Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, aponta piora significativa do quadro de saúde mental, com alucinações frequentes, delírios persistentes e perda de contato com a realidade. O documento, enviado de forma sigilosa à 5ª Vara Criminal de Campo Grande, conclui que o detento necessita de internação em hospital psiquiátrico de custódia, não havendo qualquer indicação de liberdade.

De acordo com o laudo, ao qual a coluna teve acesso, o diagnóstico atual é de esquizofrenia paranoide, mais grave do que o registrado em 2019, quando Adélio foi considerado inimputável e classificado com transtorno delirante permanente paranoide. Sete anos depois, os peritos apontam deterioração progressiva do quadro psiquiátrico.

Risco contínuo e ausência de perspectiva de melhora

Segundo os especialistas, Adélio apresenta “risco contínuo” de periculosidade, não pode conviver sem medidas de segurança e não tem perspectiva de melhora em ambiente prisional. O laudo destaca que a permanência no sistema penitenciário agrava o quadro, especialmente devido ao regime de vigilância intensa.

“Trata-se de condição clínica que, pela natureza e gravidade, exige cuidado especializado, contínuo e estruturado”, aponta trecho do parecer médico.

Principais conclusões do laudo pericial

Entre os pontos destacados pelos peritos, estão:

  • Quadro psicótico crônico, com oscilações, mas sem remissão efetiva ao longo dos anos;

  • Recusa sistemática de tratamento psiquiátrico, incluindo medicação;

  • Delírios estruturados de natureza religiosa, política e persecutória, ativos durante todo o acompanhamento;

  • Grave comprometimento da realidade, com alucinações na maior parte do tempo;

  • Isolamento social, evitando contato com outros detentos e atividades coletivas;

  • Ausência total de insight, com negação constante da doença mental;

  • Ambiente prisional como fator agravante, contribuindo para a manutenção dos delírios;

  • Manutenção da periculosidade institucional, mesmo sem episódios recentes de agressividade.

Os peritos ressaltam que Adélio não reconhece que está doente e não compreende a necessidade de tratamento, condição que compromete qualquer possibilidade de evolução clínica no atual regime.

Pedido da Defensoria e destino sugerido

A perícia foi realizada a pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e teve como objetivo avaliar se Adélio teria condições de deixar o sistema prisional. O exame foi feito no início de novembro do ano passado.

Apesar de recomendar a retirada do presídio federal, o laudo sugere o encaminhamento para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio, com acompanhamento especializado.

Situação jurídica

Mesmo considerado inimputável, Adélio permanece no sistema prisional federal desde 2018 e, por decisão judicial, só poderá deixar a custódia ao completar 60 anos, em 2038. Atualmente, ele ocupa uma cela de aproximadamente seis metros quadrados, em penitenciária de segurança máxima.

Segundo os peritos, desde que ingressou no sistema prisional, não mantém interação social significativa, não participa de atividades e não apresenta condições de convivência coletiva.

Contexto do atentado

Os laudos periciais — desde o incidente de insanidade mental até as avaliações mais recentes — indicam que a facada contra Jair Bolsonaro ocorreu durante um surto psicótico, com incapacidade de autocrítica e perda do juízo de realidade. Essa interpretação é compartilhada por peritos oficiais e assistentes técnicos e reforçada pelo comportamento atual de Adélio, que segue apresentando padrões delirantes semelhantes aos observados à época do crime.


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