Campo Grande (MS), Sábado, 24 de Janeiro de 2026

Política Internacional

Segunda rodada de negociações entre EUA, Ucrânia e Rússia termina sem acordo sobre guerra

Conversas em Abu Dhabi foram classificadas como construtivas, e novo ciclo deve ocorrer na próxima semana

24/01/2026

10:00

DA REDAÇÃO

Representantes de Ucrânia, Rússia e Estados Unidos se reúnem em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, no dia 24 de janeiro de 2026 para discutir o fim da guerra

A segunda reunião trilateral entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia terminou neste sábado (24), em Abu Dhabi, sem um acordo concreto para o fim da guerra, mas com a expectativa de continuidade das negociações. A informação foi confirmada por fontes do governo dos Emirados Árabes Unidos à AFP (Agence France-Presse), que indicaram a possibilidade de um novo ciclo de conversas já na próxima semana, também na capital emiradense.

Em publicação na rede social X, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou as conversas como “construtivas”, avaliação que foi compartilhada por autoridades locais envolvidas na mediação.

“Este foi o primeiro encontro nesse formato em bastante tempo: dois dias de reuniões trilaterais. Muitos temas foram discutidos, e é importante que as conversas tenham sido construtivas. O foco central foi os possíveis parâmetros para o fim da guerra”, afirmou Zelensky, destacando ainda a importância do monitoramento e da supervisão dos Estados Unidos em um eventual acordo de paz.

Próximos passos

Segundo o presidente ucraniano, os representantes militares identificaram uma lista de temas para uma possível nova rodada.

“Havendo disposição para avançar — e a Ucrânia está pronta — novas reuniões ocorrerão, possivelmente já na próxima semana”, acrescentou.

A delegação da Ucrânia foi representada pelo ministro da Defesa, Rustem Umerov, pelo líder do governo no Parlamento, pelo vice-chanceler e por militares de alta patente.
Pelos Estados Unidos, participaram Steve Witkoff, Jared Kushner, Dan Driscoll, Alexus Grynkewich e Josh Gruenbaum.
A Rússia enviou representantes da inteligência militar e das Forças Armadas.

Ataques durante as negociações

A segunda rodada ocorreu em meio a uma intensa ofensiva russa contra cidades ucranianas, registrada poucas horas antes das conversas. Ataques com mísseis e drones deixaram mortos e feridos e provocaram interrupções no fornecimento de energia em pleno inverno.

Em Kiev, uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas, segundo o chefe da Administração Militar da capital, Tymur Tkachenko. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, 27 pessoas ficaram feridas, de acordo com Oleh Syniehubov, chefe da administração regional.

Após os ataques, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, criticou duramente o presidente russo Vladimir Putin:

“Cinicamente, Putin ordenou um brutal ataque massivo com mísseis contra a Ucrânia justamente enquanto as delegações se reúnem em Abu Dhabi para avançar no processo de paz liderado pelos Estados Unidos. Seus mísseis atingem não apenas o nosso povo, mas também a mesa de negociações.”

O pano de fundo das negociações

Em outubro do ano passado, líderes da União Europeia e da Ucrânia passaram a discutir um plano de paz com 12 pontos, que inclui, entre outros itens:

  • Paralisação da guerra na linha de frente atual;

  • Criação de um Conselho de Paz supervisionado pelos Estados Unidos;

  • Retorno de crianças ucranianas levadas à Rússia e troca de prisioneiros;

  • Garantias de segurança à Ucrânia, aceleração da adesão à União Europeia e recursos para reconstrução;

  • Retirada gradual de sanções contra a Rússia, com possibilidade de retomada em caso de novos ataques.

O Kremlin, por sua vez, apresentou exigências próprias, como:

  • Controle total da região do Donbas;

  • Reconhecimento internacional dos territórios ocupados como russos;

  • Redução significativa do Exército ucraniano;

  • Rejeição definitiva da adesão da Ucrânia à Otan.

Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado europeus e russos por um acordo rápido, mesmo que envolva concessões territoriais da Ucrânia. Até o momento, porém, nenhuma proposta avançou de forma decisiva.

As negociações seguem cercadas de fortes obstáculos diplomáticos e militares, enquanto o conflito continua no terreno e a pressão internacional por uma solução cresce.


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