Política / Justiça
Bolsonaro ocupa cela exclusiva para quatro pessoas na Papudinha, enquanto Torres e Vasques dividem outra unidade
Modelo de custódia reforça tratamento diferenciado ao ex-presidente após decisão do STF
15/01/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está custodiado sozinho em uma cela com capacidade para até quatro detentos no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha, unidade localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A medida foi adotada após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a transferência do ex-presidente da Superintendência da Polícia Federal para a unidade militar nesta quinta-feira (15/1).
O modelo de custódia garante a Bolsonaro o uso exclusivo de uma cela coletiva, enquanto outros condenados pela mesma trama golpista dividem unidades idênticas.
Também presos na Papudinha, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques ocupam juntos uma cela semelhante à destinada ao ex-presidente.
Ambos foram condenados pelo STF por participação na tentativa de ruptura democrática:
Anderson Torres recebeu pena de 24 anos de prisão
Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses e chegou a ser preso no Paraguai antes de ser trazido ao Brasil
Apesar de responderem por crimes semelhantes aos de Bolsonaro, os dois dividem a unidade, enquanto o ex-presidente permanece sozinho em uma cela de quatro vagas.
Bolsonaro foi removido da carceragem da Polícia Federal em Brasília, onde estava preso desde novembro do ano passado, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal.
O magistrado autorizou que o ex-presidente fosse transferido para o 19º BPM da PMDF, local que abriga detentos com direito à Sala de Estado-Maior, regime especial previsto em lei para determinadas autoridades.
Na decisão que autorizou a transferência, Moraes também destacou que Bolsonaro já desfrutava de uma série de privilégios enquanto estava custodiado na PF, contrariando alegações da família sobre supostas condições inadequadas.
O ministro citou que Bolsonaro tinha, entre outros itens:
Ar-condicionado
Frigobar
Estrutura diferenciada de acomodação
Acesso ampliado a atendimentos e serviços
Segundo Moraes, o ex-presidente somava 13 privilégios em relação aos demais presos do sistema penitenciário, em contraste com os quase 4 mil detentos que cumprem pena em regime fechado no Distrito Federal, muitos deles em situação de superlotação e condições precárias.
A decisão de manter Bolsonaro sozinho em uma cela para quatro pessoas, somada às condições especiais já reconhecidas pelo STF, reforça o entendimento de que o ex-presidente segue sob um regime de custódia diferenciado, ainda que esteja condenado por crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O tema segue sob atenção pública, já que envolve isonomia no cumprimento da pena, uso de prerrogativas legais e tratamento igualitário entre réus condenados pelo mesmo processo.
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