Opinião
INSS: o órgão mais cobiçado pelos caciques políticos e alvo constante de escândalos
Má gestão, reformas punitivas e rombos bilionários: a realidade por trás do discurso de equilíbrio previdenciário
09/05/2025
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Se existisse um "escandalômetro" para medir os desvios e irregularidades nas estruturas do governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) certamente lideraria o ranking. Historicamente marcado por denúncias de corrupção, o órgão tem sido protegido por CPI’s inócuas e reformas da Previdência que nunca trouxeram resultados reais para a saúde financeira da instituição — ao contrário, os prejuízos seguem sendo repassados para os aposentados, sempre os mais vulneráveis.
É comum ouvir de ministros da Previdência que o Brasil envelhece e, por isso, os gastos com aposentadorias e pensões aumentam. Com esse argumento, tenta-se justificar o suposto "colapso" financeiro do INSS. No entanto, essa tese não se sustenta diante de uma análise mais ampla da economia: o país cresceu, a população economicamente ativa aumentou, e a base de arrecadação também. O problema, portanto, não está nos idosos, mas na gestão ineficiente e nos desvios estruturais.
Os aposentados mais antigos ainda sentem os efeitos perversos do Fator Previdenciário, criado sob a justificativa de corrigir distorções, mas que, na prática, aniquilou o valor real das aposentadorias. Quem se aposentou com o teto de 10 salários mínimos hoje recebe menos de 4, mesmo tendo direito adquirido anterior à mudança.
Mais recentemente, uma nova alteração reduziu o valor da pensão por morte, impedindo que os dependentes de um segurado falecido recebam o valor integral do benefício. Trata-se de uma perda injustificável e recorrente para os aposentados e seus familiares.
O discurso oficial sempre gira em torno da “salvação da Previdência”, mas, na prática, nunca houve resultados que beneficiassem os aposentados. O Projeto de Lei 4.434/08, que poderia reparar parte dessas perdas, segue engavetado na presidência da Câmara, ignorado pelos parlamentares. Quando questionados, eles se calam.
Um dos maiores escândalos envolvendo o INSS está na dívida impagável dos municípios brasileiros com a Previdência. A maioria das cidades desconta a contribuição dos servidores, mas não repassa os valores ao INSS. O rombo é astronômico — bilhões de reais — e os devedores continuam sendo premiados com refinanciamentos e perdões parciais. Se essas dívidas fossem executadas com rigor, o INSS poderia, ironicamente, virar até um Banco da Previdência.
O problema do INSS não é o número de idosos, não é o tempo de vida da população. O problema é gestão política, corrupção e impunidade institucionalizada. Enquanto isso, quem paga a conta são os aposentados — silenciosos, desassistidos e penalizados por um sistema que deveria protegê-los.
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