Campo Grande (MS), Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2025

MUNDO

Trump ameaça processar imprensa por uso de fontes anônimas e intensifica embate com jornalistas

Presidente dos EUA quer restringir sigilo jornalístico e endurecer controle sobre a mídia

26/02/2025

19:00

NAOM

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (26) processar veículos de comunicação, editoras e jornalistas que utilizam fontes anônimas em suas reportagens. A declaração, feita na rede social Truth Social, faz parte de uma nova investida do governo contra a imprensa.

Trump afirmou que pretende processar aqueles que publicarem conteúdos baseados em fontes sigilosas e chegou a sugerir a criação de uma nova lei para coibir essa prática.

📌 "Um grande preço deve ser pago por essa desonestidade flagrante. Farei isso como um serviço ao nosso país. Quem sabe, talvez criemos alguma nova lei boa!", escreveu o presidente.

A prática de proteger a identidade de fontes é amplamente adotada por jornalistas em reportagens sobre bastidores do governo ou denúncias sensíveis. No Brasil, o sigilo da fonte é garantido pela Constituição. Nos Estados Unidos, no entanto, não há uma lei federal que proteja explicitamente essa prerrogativa para os profissionais de imprensa.

📢 Como funciona o sigilo de fonte nos EUA?

🔹 A Constituição dos EUA protege a liberdade de imprensa, mas não garante explicitamente o sigilo da fonte.
🔹 48 estados e o Distrito de Columbia reconhecem, de alguma forma, o direito dos jornalistas de não revelarem suas fontes.
🔹 40 estados possuem leis específicas sobre o tema, enquanto outros oito garantem essa proteção via jurisprudência.
🔹 Nos tribunais federais, repórteres podem ser obrigados a revelar suas fontes em determinados casos, como aconteceu no julgamento do caso Branzburg vs. Hayes (1972).

A falta de uma legislação unificada nos EUA gera insegurança jurídica para jornalistas. Especialistas alertam que a criação de uma lei que restrinja ainda mais o uso de fontes anônimas pode prejudicar o acesso a informações de interesse público.

📌 "Essa ameaça ao livre fluxo de informações da fonte para o repórter e para o público coloca todos nós em risco", afirmou Kevin Goldberg, especialista em liberdade de imprensa do Freedom Forum.

📉 Ataques à imprensa se intensificam no segundo mandato

Desde que iniciou seu segundo mandato, em janeiro, Trump tem endurecido sua postura contra a mídia. Na terça-feira (25), a Casa Branca anunciou que passará a selecionar quais jornalistas podem participar da cobertura presidencial, quebrando uma tradição de décadas.

A medida foi adotada depois que a agência Associated Press foi impedida de acessar o Salão Oval como represália por não adotar a nomenclatura "Golfo da América" – uma mudança feita por decreto por Trump para substituir "Golfo do México", mas que não foi reconhecida internacionalmente.

📌 Outras ações recentes de Trump contra a mídia:
Expulsão do The New York Times e NBC da área de imprensa do Pentágono, substituindo-os por veículos alinhados à direita, como Breitbart News e One America News.
Pressão contra redes sociais e grandes veículos de comunicação que criticam sua gestão.
Defesa de leis mais rígidas contra "fake news", mas com viés político, mirando especialmente opositores.

Com essas iniciativas, Trump reforça um cenário de confronto aberto com a imprensa, aumentando o controle sobre o fluxo de informações e limitando a transparência de seu governo.


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